Hospital de Cascais recebe prata em prémio internacional e integra grupo de oito finalistas
Hospital de Cascais

Hospital de Cascais recebe prata em prémio internacional e integra grupo de oito finalistas

José Bento e Silva diz que a distinção reconhece o trabalho das equipas, mas avisa que não permite tirar conclusões gerais sobre as parcerias público-privadas. Hospital foi distinguido em Seul.
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O Hospital de Cascais recebeu o prémio Silver do Dr Kwang Tae Kim Grand Hospital Award 2026, atribuído pela Federação Internacional dos Hospitais (IHF), numa cerimónia realizada em Seul, na Coreia do Sul. A instituição portuguesa ficou em segundo lugar entre os oito hospitais finalistas desta categoria, que avalia o desempenho global das organizações hospitalares em cinco dimensões. O resultado não constitui uma classificação geral dos hospitais de todo o mundo.

"É naturalmente um enorme orgulho, mas também uma responsabilidade acrescida", afirma José Bento e Silva, presidente do conselho de administração do Hospital de Cascais. Para o responsável, o prémio "demonstra que um hospital do SNS pode estar entre as melhores referências internacionais" e que "Portugal tem boas práticas e profissionais de excelência que devem ser reconhecidos e partilhados".

A avaliação do Grand Hospital Award considera a qualidade e segurança dos cuidados, a experiência do doente, a eficiência, o bem-estar dos profissionais e a equidade no acesso. Segundo Bento e Silva, o júri analisou indicadores clínicos e operacionais, dados sobre a satisfação de utentes e profissionais e critérios de sustentabilidade. A avaliação, acrescenta, não se limitou a um momento: procurou verificar "a consistência destes resultados" ao longo do tempo.

A IHF anunciou mais de 750 candidaturas, provenientes de 38 países e territórios, no conjunto das oito categorias dos prémios de 2026. O Hospital de Cascais integrou o grupo de oito nomeados para o Grand Hospital Award. "O segundo lugar nesta competição internacional é um reconhecimento que verdadeiramente nos orgulha, posicionando-nos como referência mundial segundo estes critérios", diz o presidente do conselho de administração. A distinção, ressalva, não resultou da avaliação de um projeto isolado. A candidatura reuniu resultados e iniciativas em áreas como a qualidade clínica, a segurança, a experiência do doente, a eficiência, o acesso, o bem-estar das equipas, a inovação e a sustentabilidade.

Entre os exemplos apresentados ao júri estiveram medidas de prevenção de infeções e quedas, segurança da medicação, reorganização de percursos clínicos, hospitalização domiciliária e iniciativas de humanização e apoio aos profissionais. "Não apresentámos apenas intenções: demonstrámos como estes projetos se traduzem em melhores cuidados", afirma Bento e Silva.

O responsável destaca os resultados clínicos e os percursos internos dos doentes, mas considera que a força da distinção está na avaliação conjunta das várias dimensões. "A excelência clínica só é sustentável se for acompanhada por uma experiência positiva do paciente, pelo bem-estar dos profissionais, pela utilização responsável dos recursos e pela equidade no acesso", diz. 

A distinção não corresponde, porém, a uma auditoria com um relatório único de recomendações. Bento e Silva explica que o prémio não emite "um relatório clássico de uma auditoria" e que as oportunidades de melhoria resultam também de avaliações regulares, incluindo as da Joint Commission International, das certificações ISO e de vistorias técnicas. 

Câmara Municipal de Cascais

A hospitalização domiciliária é também um dos exemplos que o presidente aponta como mudança que os doentes podem sentir na prática. O modelo permite prestar cuidados de nível hospitalar em casa, com acompanhamento clínico, quando a situação o permite. O objetivo, diz, é que a distinção se traduza em "maior segurança, melhor coordenação entre profissionais e serviços e, sempre que clinicamente adequado, da possibilidade de receber cuidados fora das paredes do hospital". E resume: "Um hospital de excelência é aquele em que o doente sente a diferença, mesmo sem saber que o hospital recebeu um prémio."

O bem-estar dos profissionais foi uma das dimensões avaliadas. O hospital desenvolve um programa de prevenção, rastreio e intervenção nos riscos psicossociais, acompanhado por um inquérito anual realizado por uma entidade externa, além de iniciativas de saúde ocupacional, formação e envolvimento das equipas. O Innovation Health Center, acrescenta Bento e Silva, oferece um espaço dedicado à formação, ao conhecimento e à inovação. "Procuramos também dar voz aos profissionais, porque muitas das melhores soluções surgem de quem está diariamente no terreno."

O presidente atribui às equipas o papel central na candidatura e na distinção. Os resultados, diz, "são o produto do trabalho diário de médicos, enfermeiros, técnicos, assistentes e de todas as equipas que fazem o Hospital funcionar". Muitos dos projetos apresentados nasceram de iniciativas dos próprios profissionais e do trabalho multidisciplinar. 

O Hospital de Cascais integra o Serviço Nacional de Saúde e é gerido em regime de parceria público-privada (PPP). Bento e Silva considera que o modelo oferece instrumentos como capacidade de planeamento e investimento, flexibilidade na tomada de decisão e maior orientação para objetivos e resultados. Mas rejeita que um prémio atribuído a uma única instituição permita concluir, por si só, que um modelo de gestão é superior a outro. "Seria abusivo retirar uma conclusão geral sobre as PPP a partir de um único prémio. Esta distinção avalia o desempenho de um hospital, não compara diferentes modelos de gestão", afirma. O responsável defende que o debate deve apoiar-se em "resultados, dados comparáveis e evidência".

Entre as dificuldades atuais, Bento e Silva identifica a escassez de profissionais em algumas áreas clínicas, tanto em número como em certas especialidades, e a imprevisibilidade da procura. Esta varia não apenas com a sazonalidade, que considera previsível, mas também com alterações na oferta regional, como o encerramento inesperado de urgências ou a transferência de utentes. 

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