O Hospital Curry Cabral, em Lisboa, realizou o primeiro transplante renal realizado integralmente por cirurgia robótica em Portugal, com o pai a doar o rim à filha, estando ambos a recuperar bem, anunciou esta segunda-feira, 15 de dezembro, a ULS São José.Para esta intervenção, realizada no dia 13 de novembro no Centro Hepato-Bilio-Pancreático e de Transplantação da ULS São José, o pai, de 63 anos, doou o rim esquerdo à filha, de 38 anos, diagnosticada com nefropatia em 2024 e em tratamento por diálise peritoneal desde então.“O órgão foi implantado na fossa ilíaca direita”, refere em comunicado a ULS São José, adiantando que a nefrectomia do dador (retirada do órgão) através da cirurgia robótica já vinha a ser praticada há mais de um ano na instituição, “mas esta foi a primeira vez em que o implante renal também foi executado por via robótica”.Segundo a instituição, esta abordagem permite uma recuperação mais rápida do doente, menos tempo de internamento e menor incidência de complicações.“A ampliação e a destreza de movimentos da plataforma robótica Da Vinci permite realizar todas as anastomoses (suturas de vasos e ureteres) de forma rápida e com uma qualidade que é quase impossível de igualar no procedimento convencional. Isto reflete-se em mais segurança para o doente e rins com melhor função e longevidade”, explica João Santos Coelho, cirurgião que operou o robô, citado no comunicado.O diretor do Centro Hepato-Bilio-Pancreático e de transplantação, Hugo Pinto Marques, acrescenta que “o transplante robótico de dador vivo por abordagem completamente robótica é mais um exemplo das vantagens que a cirurgia robótica oferece, com maior precisão cirúrgica, menor agressão para o organismo e mais rápida recuperação”.“Esta intervenção posiciona, mais uma vez, o nosso serviço e a nossa instituição na vanguarda da cirurgia robótica no nosso país”, salienta Hugo Pinto Marques.A ULS salienta que as vantagens para o dador da nefrectomia robótica incluem uma recuperação mais rápida, menos dor, cicatriz quase impercetível e máxima segurança.A presidente da ULS São José, Rosa Valente de Matos, também citada no comunicado, afirma que, “com este transplante pioneiro a nível nacional”, a instituição “está, uma vez mais, a inovar no cuidar”.“Esta é a nossa marca e acreditamos que é o melhor caminho para aumentarmos a qualidade dos cuidados que prestamos e para atrair e preservar talento na nossa instituição”, defende Rosa Valente de Matos.Participaram nas duas cirurgias João Santos Coelho, cirurgião que comandou o robô, Sofia Carrelha, Sofia Corado e Ana Pena (cirurgiões), José Guerreiro e Paula Rocha (anestesistas), Cristina Rivera, Teresa Fonseca e Helena Figueiredo (enfermeiras).Esteve também presente, como supervisor, Philippe Abreu, da Universidade de Colorado..Mulher doa fígado à mãe em primeiro transplante totalmente robótico em Portugal.Transplantes com novas opções em células estaminais