Um homem de 68 anos morreu na quarta-feira, 7 de janeiro, em Tavira, depois de ter estado mais de uma hora a aguardar por meios de socorro, disse à Lusa fonte da família.Segundo a fonte, a vítima sentiu-se mal ao final da tarde de quarta-feira, depois de ter ido à farmácia e consumido um xarope.A fita do tempo desta ocorrência, a que a Lusa teve acesso, regista uma primeira chamada pelas 18:07, seguida de uma segunda chamada de socorro a questionar a demora dos meios.A vítima foi inicialmente classificada como prioridade 2 (resposta em 18 minutos), passando a P1 (resposta imediata) aquando da terceira chamada dos familiares, que aconteceu pelas 18:47, informando que o homem já estava em paragem cardiorrespiratória.A primeira ambulância foi acionada pelas 18:42.Para o local foram igualmente enviados a viatura de Suporte Imediato de Vida (SIV) de Tavira, acionada pelas 18:49, uma unidade de apoio psicológico do INEM e a polícia.Segundo a fonte familiar, os primeiros meios de socorro só chegaram ao local mais de uma hora depois do pedido inicial de socorro.O INEM "lamenta a morte do utente e encontra-se a auditar os procedimentos internos associados à ocorrência", de acordo com um comunicado enviado às redações.O instituto explica que "a chamada para o 112 foi efetuada às 18h07 e triada no CODU como P2 – muito urgente" e que, "após diversos contactos", verificou-se que "não existiam meios de Suporte Básico de Vida disponíveis na área", uma vez que "encontravam-se retidas no Hospital de Faro cinco ambulâncias, incluindo meios de Tavira e do concelho vizinho de Vila Real de Santo António" e que "os meios dos concelhos mais próximos estavam igualmente em serviço ou retidos".O INEM detalha que o "CODU contactou o local para informar sobre a demora no acionamento de meios e reavaliar a situação do utente" e que, às 18h42, "a primeira ambulância a ficar disponível foi acionada, dos Bombeiros Voluntários de Faro". Cinco minutos depois, "foi recebida nova chamada a reportar agravamento do estado de saúde do utente, tendo a prioridade sido alterada para P1 – emergente"."Em cumprimento dos procedimentos definidos, foi acionada às 18h48 a ambulância SIV de Tavira, um minuto após a retriagem da ocorrência. Após passagem de dados, o CODU acionou VMER e UMIPE (equipa de psicólogos)", prosseguiu o instituto, que garante ter cumprido "todos os procedimentos definidos e assegurou o acompanhamento permanente da situação, não tendo a resposta sido mais célere devido à indisponibilidade de meios na região"."Esta ocorrência não está relacionada com o sistema de triagem por prioridades do CODU, que funcionou de acordo com os critérios clínicos estabelecidos", assegura o INEM.Este caso acontece depois de na terça-feira um homem de 78 anos ter morrido no Seixal, depois de ter estado quase três horas à espera de socorro e da morte, na quarta, de uma idosa após esperar 40 minutos por ambulância que veio de Carcavelos, a 35 km de distância.Em relação a este caso, o presidente do INEM descartou responsabilidades do instituto, atribuindo o atraso à falta de meios e retenção de macas das ambulâncias nos hospitais.