Operação de retirada de passageiros do Hondius, suspeitos de terem contraído hantavírus.
Operação de retirada de passageiros do Hondius, suspeitos de terem contraído hantavírus.FOTO: Tedros Adhanom Ghebreyesus / Facebook

Hantavírus: Quem viajar para regiões endémicas na América do Sul deve fazer consulta prévia

O alerta é da Sociedade Portuguesa de Medicina do Viajante, que aconselha os viajantes, sobretudo para a Argentina, Chile e Uruguai, a conhecer as medidas de prevenção de exposição ao vírus.
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A Sociedade Portuguesa de Medicina do Viajante (SPMV) alertou este domingo, 17 de maio, para a “importância crítica” de quem se deslocar para as regiões endémicas de transmissão do hantavírus, na América do Sul, ter uma consulta prévia de aconselhamento.

“Os viajantes com destino a zonas rurais da América do Sul, em particular Argentina, Chile e Uruguai, devem ser aconselhados sobre medidas de prevenção de exposição ao hantavírus”, adiantou a SPMV, num ponto de situação relativo ao surto de infeção pelo vírus Andes associado ao navio de cruzeiro Hondius.

Salientando que o risco para a população portuguesa é considerado baixo e que não existe transmissão comunitária, a sociedade realçou que o surto detetado no início do mês “reforça a importância crítica da consulta do viajante antes de deslocações para áreas endémicas”.

Em comunicado, a SPMV referiu que quem viajar para as regiões rurais em causa deve evitar o contacto com roedores ou com os seus excrementos e de permanecer ou pernoitar em espaços mal ventilados ou com sinais de infestação por roedores, privilegiando alojamentos com condições adequadas de higiene e ventilação.

Adiantou ainda que os profissionais de saúde devem reforçar a vigilância clínica em viajantes regressados dessas regiões que apresentem síndroma febril e mialgias, entre outros sintomas, mas também de pessoas com histórico de contacto próximo com caso confirmado até 42 dias após a última exposição.

Desde que o surto provocado pela variante dos Andes foi declarado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a 2 de maio, foram confirmados em laboratório oito casos de infeção e registaram-se três mortos.

A OMS considera que o risco é moderado para os ex-passageiros e tripulação do navio de cruzeiro, onde se detetou primeiro o vírus, e baixo para o restante da população no mundo.

A origem deste surto de hantavírus ainda é desconhecida, mas, segundo a OMS, a primeira contaminação deverá ter ocorrido antes do início da expedição a 1 de abril, pois o primeiro passageiro falecido, um holandês de 70 anos, apresentou sintomas já a 6 de abril.

O período de incubação do vírus situa-se entre uma a seis semanas e não existe vacina nem tratamento específico contra o hantavírus, que pode provocar uma síndrome respiratória aguda.

A taxa de letalidade - percentagem de pessoas doentes que morrem após contrair a infeção - deste surto é, nesta fase, de 27%, segundo a OMS.

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