Há um ano não havia tantos internados. Norte já tem mais casos

Número de hospitalizações continua a subir, conforme aumentam os contágios. "A boa notícia" é que a proporção é "muito mais baixa do que em vagas anteriores", diz especialista do S. João.

Há um ano, os boletins diários da Direção-Geral da Saúde (DGS) davam conta do número de casos de infeção a descer e de uma redução significativa nos internamentos, quer em enfermarias quer em cuidados intensivos. Aliás, no que toca a internamentos, as notícias apontavam que, desde março, não havia tão poucos doentes internados. No dia 18 de julho de 2020, a DGS registava 452 internamentos, entre os quais 65 estavam em cuidados intensivos.

O cenário à data deste dia 18 de 2021 é bem diferente. O número de internamentos tem vindo a oscilar, mas tendo ficado, no último mês, acima do que era esperado. De acordo com os dados da DGS, desde o dia 18 de março que não se registavam tantos como os que entraram neste domingo. Na altura, havia 828 internados, 118 em intensivos. Ontem, eram 805, dos quais 176 em UCI - mais três do que no sábado.

Os números que Portugal tem vindo a registar nos últimos tempos não têm deixado alguns especialistas indiferentes. Por exemplo, entre junho e julho, e segundo dados oficiais, o aumento de internamentos em UCI foi de 122%. Nesta semana, dois diretores de serviços de medicina intensiva, de Lisboa e do Porto, confirmavam ao DN que "a resposta em cuidados intensivos ainda é gerível", mas que não poderia aumentar muito mais, porque se tal acontecesse "a resposta teria de ser dada à custa dos doentes não covid".

António Pais Martins, coordenador da Unidade de Medicina Intensiva do centro Hospitalar Lisboa Ocidental, afirmava ao DN que "ninguém imaginava que isto pudesse acontecer com o desconfinamento".

Mas a questão não é só o desconfinamento, é a variante Delta, com origem associada à Índia, presente em mais de 102 países do mundo e com um grau de transmissibilidade muito mais elevado do que a variante anteriormente predominante, a Alpha (com origem no Reino Unido) e que está a afetar agora sobretudo as camadas mais jovens, que ainda não estão vacinadas.

Na mesma altura, Pais Martins argumentou até que se não há mais internados e mais óbitos isso é graças "ao processo de vacinação". Recorde-se que na semana que terminou a taxa de ocupação nas unidades de cuidados de intensivos na região de Lisboa e Vale do Tejo era de 86%, tendo subido em 50% a da região Norte em apenas sete dias. No resto das regiões, tem-se mantido entre os 60% e os 70%, mas na área da capital, a ocupação estava já nos 90% uma semana antes, tendo sido mesmo necessário transferir alguns doentes para outras regiões, de forma a acautelar uma resposta mais efetiva aos doentes não covid.

Em apenas sete dias, porém, do dia 11 de julho ao dia 18, o número de internados em enfermarias e em cuidados intensivos aumentou significativamente. Há uma semana, havia 672 pessoas internadas; ontem eram 805, mais 133. Nos cuidados intensivos estavam ontem 176 pessoas, há uma semana eram 153.

A região Norte é, ainda assim, a que está a crescer mais em número de casos e ontem até já registou mais do que Lisboa e Vale do Tejo, sendo provável que tal se mantenha durante mais algum tempo, até o Norte atingir o pico desta quarta vaga. Ontem, o Norte tinha 1307 casos e LVT 1279.

O número total de infeções foi de 3261, havendo a registar oito mortes, cinco em LVT, duas no Norte e uma no Algarve, que teve também o terceiro maior número de casos: 259. O Centro teve 247 e o Alentejo 22 711 casos, mais 3825 do que na semana passada. O mesmo e verifica em relação aos óbitos: foram 51 nos últimos sete dias , que comparam com 44 na semana anterior.

José Artur Paiva, diretor da unidade de medicina intensiva do centro Hospitalar São João, lembrava também nesta semana ao DN que "o aumento significativo de casos na comunidade foi o que levou a um aumento de hospitalizações. Há sempre um percentual dos casos positivos que corresponde a um percentual de hospitalizações. Portanto, sabíamos que as hospitalizações iriam aumentar. A boa notícia é que este percentual agora é muito mais baixo do que o que se registou nas vagas anteriores".

Ambos referem que há uma folga na resposta, mas a população tem de continuar a cumprir as regras.

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