Há 250 mil pessoas que não conseguem comprar todos os medicamentos prescritos

A campanha "Dê troco a quem precisa" pretende fazer frente a este problema com a ajuda da população

A partir de amanhã, dia 4 de novembro, quando for à farmácia poderá ajudar quem mais precisa. Para isso basta arredondar a conta e o valor do donativo reverte na totalidade para o pagamento de medicamentos a famílias carenciadas referenciadas por várias instituições com quem o programa Abem tem parceria.

O programa, criado pela associação Dignitude, pretende: "ajudar as pessoas que não têm recursos a pagar os medicamentos", uma vez que muitas famílias não têm meios próprios de o fazer, quem o explica é Maria de Belém Roseira, presidente do Conselho Geral e de Supervisão da Associação Dignitude.

A campanha "Dê Troco a Quem Precisa" criada pelo Abem vai decorrer até dia 24 de dezembro em 500 farmácias de oito distritos (Beja, Coimbra, Lisboa, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal e Viseu). Os portugueses que se deslocarem às farmácias abrangidas são assim convidados a doar o seu troco aquando do momento da compra. Essa verba é de imediato alocada ao fundo solidário do Programa Abem: e aos beneficiários que dele fazem parte. Segundo a ex-ministra esta campanha serve para lembrar as pessoas que "à sua volta há sempre alguém com necessidades não satisfeitas e quando essas necessidades não satisfeitas significam dispor de um medicamento que é necessário para a sua saúde e não poder comprá-lo, é preocupante". A campanha serve ainda como "pedagogia ao desconhecimento e à indiferença".

O Centro Social e Paroquial de Camarate é uma das entidades referenciadoras do programa e segundo Filipa Mineiro, esta parceria veio suprir um problema muito grande já identificado. Muitas pessoas com doenças crónicas e com muitas crianças a cargo "chegavam até nós, diretamente do centro de saúde com as receitas porque não conseguiam pagar", explica.

Isaura Martinho, farmacêutica na Farmácia de Marvila, onde decorreu a apresentação, considera o programa "extremamente positivo", uma vez que "não há o facto da estigmatização". Muitas vezes as pessoas por vergonha nem iam à farmácia "com este projeto a pessoa chega como um cliente normal e ninguém questiona", uma vez que é entregue a cada beneficiário um cartão que só é identificado pelo farmacêutico, sendo a pessoa um utente como todos os outros.

De acordo com um estudo da Universidade Católica de final de 2015, um em cada cinco portugueses não consegue comprar todos os medicamentos receitados pelo seu médico, aquando da visita à farmácia. Uma realidade à qual a Associação Dignitude pretende ajudar a dar resposta através do Programa Abem, atualmente com mais de 3 mil beneficiários, mas que ambiciona atingir 25 mil pessoas em situação de carência de medicação até ao final do próximo ano, uma vez que estão identificadas cerca de 250 mil pessoas em situação de carência. Para isso, prevê o alargamento do programa a todos os distritos do país e regiões autónomas até ao final deste ano.

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