Furacão Alex é agora uma tempestade tropical e passou a 20 km da Terceira

Presidente do governo açoriano indica que há registo de pequenas derrocadas e transbordo de ribeiras até ao momento

O furacão 'Alex' passou hoje a tempestade tropical após ter atravessado o arquipélago dos Açores, disse à Lusa fonte do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). O furacão passou a leste da Terceira, a ilha dos Açores que tinha "uma elevada probabilidade de sofrer o impacto direto" da situação, mas que acabou por ser afetada pela parte menos ativa do fenómeno.

"O furacão passou a cerca de 20 quilómetros a leste da Terceira, que foi afetada, mas pela parte menos ativa do furacão", afirmou o meteorologista Carlos Ramalho, da delegação regional dos Açores do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Em declarações à agência Lusa pelas 12:30 locais (mais uma hora em Lisboa), Carlos Ramalho explicou que "a parte mais forte do mau tempo está, neste momento, a leste da ilha, muito próximo, mas no mar, a cerca de dez, vinte quilómetros".

O meteorologista esclareceu que no grupo central a situação "já acalmou nas ilhas de São Jorge, Faial e Pico". Na Graciosa e na Terceira "ainda pode haver um pouco mais de vento".

Quanto ao grupo oriental, ilhas de Santa Maria e São Miguel, "deverá haver algum vento até às 15:00, mas a partir daí com uma melhoria significativa do estado tempo", notou. "Ainda continuamos com o aviso vermelho e vamos ver se não há mais nenhum desvio que possa ocorrer. Só depois disso são levantados os avisos meteorológicos", acrescentou.

Neste site, através de várias câmaras colocadas em diversos pontos do arquipélago, é possível acompanhar a evolução do furacão em tempo real.

Pequenas derrocadas solucionadas

O presidente do governo açoriano, Vasco Cordeiro, afirmou hoje que há registo de pequenas derrocadas e transbordo de ribeiras, nomeadamente no Pico e em São Miguel, na sequência da passagem do furacão 'Alex', situações de "pequena monta já solucionadas".

"Há efetivamente um aumento da precipitação, um aumento da intensidade do vento e há já algumas ocorrências de pequenas derrocadas e transbordo de ribeiras, nomeadamente nas ilhas do Pico e em São Miguel. Não é nada de monta, mas de qualquer forma já se registam essas ocorrências, que têm sido prontamente solucionadas com a intervenção de bombeiros e dos serviços da administração regional, nomeadamente Recursos Florestais e Obras Públicas, que têm tido uma intervenção mais direta no terreno", disse Vasco Cordeiro, cerca das 09:00 locais (menos uma hora do que em Lisboa).

O presidente do Governo dos Açores falava, em declarações aos jornalistas, na sede do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, em Angra do Heroísmo, tendo acrescentado que não há registo "de qualquer situação de monta" relacionada com a preia-mar, que se verificou por volta das 04:00/06:00.

Fenómeno raro

O furacão 'Alex' é o primeiro fenómeno meteorológico desta natureza a acontecer no mês de janeiro em quase 80 anos, de acordo com meteorologistas norte-americanos, motivando a emissão de avisos vermelhos para vento, agitação marítima e chuva para os grupos central e oriental, que vigoram até ao início da tarde.

O agravamento do estado do tempo no arquipélago levou ao encerramento de tribunais nestas sete ilhas, enquanto nas escolas não haverá aulas, assim como nos três polos da Universidade dos Açores, que funcionam em Ponta Delgada (São Miguel), Angra do Heroísmo (Terceira) e Horta (Faial).

O Governo Regional recomendou ainda o encerramento das creches e jardins-de-infância, tendo o presidente do executivo, Vasco Cordeiro, determinado o fecho dos serviços da administração regional para as sete ilhas.

A exceção são "os serviços considerados urgentes e essenciais, nomeadamente hospitais, centros de saúde, serviços de proteção civil, assim como os demais considerados pelos respetivos diretores regionais da tutela".

Também pelo menos seis municípios - Praia da Vitória (Terceira), Nordeste, Povoação e Ponta Delgada (São Miguel) e Lajes e São Roque (ambos do Pico) - decidiram pelo encerramento dos serviços.

No Porto de Ponta Delgada, o maior do arquipélago, em São Miguel, que em dezembro sofreu vários danos decorrentes da agitação marítima, foram tomadas medidas preventivas, como a deslocação de embarcações comerciais para o norte da ilha, e o reforço da amarração das embarcações de recreio e pesca.

(Notícia atualizada às 15:28)

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