Governo apela à consciência individual para prevenir incêndios
O secretário de Estado da Proteção Civil apelou esta quinta-feira, 3 de setembro, para que sejam evitados comportamentos de risco de incêndio e alertou para a dificuldade acrescida no combate quando acontecem várias ignições quase em simultâneo, como aconteceu em Boticas.
"Permitam que possa utilizar a vossa presença para, de facto, apelar mais uma vez à consciência individual de cada um de nós, de todos os nossos concidadãos, porque aquilo que aconteceu nestes incêndios em Boticas, como já tinha acontecido também em Vouzela, como aconteceu em Ponte de Lima, como aconteceu em Vila Flor, é que acontecem várias ignições quase em simultâneo", afirmou Rui Rocha. Ou, acrescentou, "quando já há um incêndio e há novas ignições" e "algumas delas, como aconteceu aqui [Boticas], à meia-noite e num dia de festa".
Rui Rocha apelou à responsabilidade de todos no uso da floresta, à vigilância e à sinalização de movimentações que possam ser suspeitas, considerando que é uma "dificuldade acrescida" quando existem várias ignições e durante a noite, período em que fica impossibilitada a utilização dos meios aéreos.
Lembrou ainda que, tal como evidenciou o relatório da Comissão Técnica Independente, a esmagadora maioria dos incêndios tem mão humana, seja ela negligência ou dolo e, por isso, disse ser importante sensibilizar contra os comportamentos de risco.
"Nós não podemos aqui sinalizar a causa, mas que não deixa de ser estranho que quando há um incêndio e de repente há outra ignição próximo, ou como, em Vila da Flor, em que numa noite houve quatro ou cinco ignições, de facto temos que interpretar que é alguma coisa que não é normal", referiu.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) estendeu esta quinta-feira o aviso amarelo de tempo quente até sábado e alargou-o de 11 para 14 distritos, colocando vários concelhos do país em perigo máximo ou muito elevado de incêndio rural.
A propósito, Rui Rocha disse que o dispositivo "já foi alavancado para que possa haver maior prontidão para alguma necessidade" e reforçou o apelo à prevenção, como não fazer nenhuma atividade na floresta ou próximo da floresta que possa originar qualquer incêndio.
O governante falava aos jornalistas no fim de uma reunião, em Boticas, que serviu para ouvir comandantes de bombeiros, Proteção Civil e a autarcas que estiveram envolvidos nos fogos que começaram neste concelho do distrito de Vila Real e atingiram 3.000 hectares.
Entre a noite do dia 15 e o dia 20 de agosto deflagraram três incêndios na freguesia de Ardãos e Bobadela, dois na aldeia de Nogueira, um dos quais alastrou a Chaves, e em Ardãos, que entrou no concelho de Montalegre.
O secretário de Estado explicou que tem feito estas reuniões em todos os locais afetados por grandes incêndios, referindo que na sexta-feira estará em Torre de Moncorvo e Arouca.
"O objetivo é não ter que esperar pelo novo dispositivo de 2027 para perceber se há alguns aspetos que possam ainda vir a ser melhorados neste ano. Hoje estamos no dia 3 de setembro, mas o dispositivo está até o dia 15 de outubro. Portanto, esta reflexão é importante", sublinhou.
Questionado sobre o abaixo-assinado lançado por populares de Carrazeda de Ansiães que criticam a gestão do incêndio, que começou em Torre de Moncorvo, pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Rui Rocha disse aguardar pela entrega da petição, mas que independentemente disso irá ser feita avaliação "daquilo que também foi essa ocorrência para perceber se há alguma coisa que, de facto, não correu bem".
"Esse é o nosso objetivo é de estar no terreno e perceber o que é que aconteceu, e se houve alguma coisa que não correu bem, ou correu mesmo mal, como é que vamos melhorar", sublinhou.

