Google reforça aposta na Educação: novas ferramentas de IA pedagógica e um ano gratuito para universitários
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Google reforça aposta na Educação: novas ferramentas de IA pedagógica e um ano gratuito para universitários

Tecnológica americana renovou Gemini para estudantes e a Pesquisa com tutoria passo a passo, bem como os modelos 3D e formação para docentes. Suporte em português está garantido.
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A empresa por trás do maior motor de busca do mundo anunciou esta terça-feira (1 de setembro) uma vaga abrangente de novas ferramentas de Inteligência Artificial (IA) destinadas a potenciar o ecossistema educativo no regresso às aulas. A Google renovou em profundidade tanto a aplicação Gemini como a Pesquisa com recursos desenhados especificamente para a aprendizagem ativa e a tutoria passo a passo. Segundo fonte oficial da empresa, as novas capacidades começam a ser disponibilizadas progressivamente a partir de hoje na Europa, incluindo Portugal, com suporte nativo em língua portuguesa – tal como o Gemini já possui.

A iniciativa marca uma viragem estratégica na forma como a tecnológica aborda a IA para as salas de aula e rotinas de estudo. Em vez de posicionar a Inteligência Artificial como um mero automatismo para obter respostas prontas, a gigante norte-americana estruturou as ferramentas em torno do conceito de "parceiro de estudo ativo". Segundo Chris Phillips, vice-presidente da Google e diretor-geral de Educação da empresa, a educação é, atualmente, o principal motor de adoção de tecnologia: "A aprendizagem está no centro de tudo o que fazemos na Google. Estamos num ponto de viragem neste momento, à medida que a IA remodela a forma como os alunos aprendem e os professores ensinam. Um estudo global que realizámos com a Ipsos revelou que a aprendizagem é hoje a principal razão pela qual as pessoas recorrem à IA." Este responsável reconhece que estamos perante "uma mudança gigantesca" no paradigma de utilização mas acrescenta: "Para que a IA tenha um impacto real na sala de aula, os professores têm de liderar o caminho."

Por isso, a valorização do papel do professor surge como um dos pilares centrais da estratégia da tecnológica, que identificou um desfasamento entre o interesse e a preparação dos profissionais de ensino. "A realidade é esta: 86% dos professores querem usar IA na sua sala de aula, mas apenas 17% sentem que têm a formação necessária para o fazer com eficácia. Quando reduzimos essa lacuna, os resultados são incríveis: os professores poupam tempo, os estudantes sentem-se mais empenhados e a aprendizagem torna-se mais personalizada", alertou Chris Phillips.

Para responder a esta necessidade, a empresa anunciou a expansão para a região EMEA do programa Google Educator Series, uma oferta formativa online e gratuita dividida em módulos práticos de 10 a 15 minutos focados no quotidiano escolar. Julia Wilkowski, responsável pela Ciência da Aprendizagem na tecnológica e antiga formadora de astronautas na NASA, detalhou os três eixos desta aposta: "Pensamos nos benefícios destas ferramentas para os professores em três vertentes: ajudar a que sejam mais eficientes, libertando tempo de tarefas administrativas rotineiras; permitir que sejam mais eficazes nos resultados de aprendizagem; e torná-los mais inovadores, capacitando-os para criar novas formas de avaliação e atividades pedagógicas que antes eram inviáveis."

Centro dedicado a estudantes no Gemini

A pensar nos alunos, as ferramentas foram reformuladas no sentido de, dizem os responsáveis, irem ao encontro das necessidades académicas. O Gemini (que já possuía uma ferramenta de Aprendizagem Guiada) passa a integrar um centro dedicado aos estudantes, concebido como um ponto de partida organizacional onde se concentram blocos de notas, cartões de memorização e testes de treino.

Uma das principais novidades reside nos blocos de notas de estudo, onde o aluno pode carregar o programa da cadeira, apontamentos de aulas ou sebentas. A partir desses materiais, o sistema traça um plano de estudo estruturado, realiza questionários de diagnóstico para identificar lacunas de conhecimento, gera micro-lições adaptadas e, mediante autorização, agenda automaticamente as datas de exames e entregas no Google Calendário.

Marta McAlister, diretora do Gemini para a Educação e antiga professora de Matemática e Educação Especial, enfatizou o impacto pedagógico desta abordagem estruturada. "O que adoro particularmente no bloco de notas de estudo é que ele coloca os alunos no lugar do condutor e no controlo da sua própria aprendizagem. Isso reforça o hábito de estudo ativo e estimula a metacognição e a motivação do estudante, garantindo que o Gemini responde sempre alicerçado nos materiais reais fornecidos pelos docentes na sala de aula", disse aos jornalistas, em conferência de imprensa internacional.

A interação conversacional foi igualmente expandida através do Gemini Live, que passa a integrar a capacidade de Pesquisa Aprofundada. Os estudantes podem solicitar investigações complexas por voz e continuar a utilizar o dispositivo para outras tarefas enquanto o sistema trabalha de forma assíncrona em segundo plano, recebendo uma notificação assim que o relatório estiver pronto para ser debatido. A compreensão de matérias abstratas é reforçada pela introdução de visualizações interativas em 3D, que permitem manipular simulações tridimensionais em tempo real sobre tópicos que vão desde a atividade enzimática na estrutura do ADN até oscilações de pêndulos físicos ou curvas financeiras de consumo de capital.

O motor de Pesquisa Google e a ferramenta Google Lens acompanham esta vaga de lançamentos com funcionalidades direcionadas para a resolução prática de problemas. Com o Lens, aplicação móvel para Android e integrada diretamente na app Google para iPhone e iPad, os alunos passam a poder apontar a câmara para um exercício ou cálculo em papel, obtendo uma análise que identifica exatamente em que etapa do raciocínio ocorreu um erro e guiando-os passo a passo até à resolução correta. Marta McAlister destacou o paralelismo com a sua experiência pedagógica: "Isto teria sido revolucionário na altura em que eu ensinava matemática. O Lens desmonta problemas complexos passo a passo, identifica onde o cálculo descarrilou e orienta o estudante em direção à solução, desconstruindo equívocos comuns para chegar ao conceito fundamental."

Na Pesquisa introduzem-se ainda questionários práticos interativos em Resumos de IA e no Modo IA, alimentados por parcerias com entidades especializadas como The Princeton Review, Akira Enem, Careers360 e PhysicsWallah, além de capacidades de interface de utilizador generativa que desenham tabelas e gráficos dinâmicos consoante a complexidade da dúvida. A plataforma permite também fundir apontamentos manuscritos fotografados com diapositivos de aulas para criar resumos, apresentações ou folhas de cálculo estruturadas.

Toda a arquitetura pedagógica destas ferramentas assenta no LearnLM, um modelo fundacional desenvolvido pela Google especificamente à luz da ciência da aprendizagem. Julia Wilkowski fez questão de clarificar que o foco está no trabalho produtivo: "Sabemos que a aprendizagem, para ser significativa, exige esforço. Requer interagir com o conteúdo, estabelecer ligações com conhecimentos prévios, refletir sobre o processo de aprendizagem, recordar informação, debater, praticar, aplicar e, em última análise, transformar essa informação em ação. São estas coisas que constroem conexões duradouras no cérebro."

A investigadora garantiu que o sistema foi parametrizado para evitar facilidades ilusórias, pelo que "a IA não pode ser um atalho para a aprendizagem".

"O nosso objetivo é valorizar o esforço de aprender. Esta abordagem prepara melhor os estudantes para descobrirem as soluções por si próprios, com o nível exato de apoio e orientação, em vez de lhes entregar respostas rápidas", garantiu.

Dois estudos em dois ambientes díspares

A eficácia pedagógica do modelo foi aferida em projetos-piloto em contexto real de sala de aula, garante a empresa.

Num estudo de oito semanas conduzido na Serra Leoa, a utilização do modo de aprendizagem guiada durante apenas 12 horas traduziu-se em ganhos na disciplina de matemática equivalentes a entre 1,8 e 2,5 anos de progresso curricular padrão.

Já em Itália, "mais de 80% dos estudantes" cujos professores recorreram a materiais pedagógicos gerados no Gemini atingiram as metas de aprendizagem estabelecidas, com "42% dos docentes a reportarem progressos muito acima da média em alunos com necessidades educativas específicas", diz a tecnológica.

A Google não detalhou o tamanho da amostra nem as condições de controlo, pelo que os resultados devem ser lidos como indicadores preliminares.

E qual o impacto da tecnologia tanto na avaliação escolar como no risco de erros de factualidade (as chamadas "alucinações")? "Estamos a assistir a uma mudança clara da avaliação baseada no produto final para uma avaliação focada no processo", defendeu Marta McAlister, para quem há hoje, nas universidades, uma transição em curso. "Em vez de [os estudantes] entregarem apenas um ensaio acabado como trabalho, partilham frequentemente todo o portfólio da sua interação com a IA, demonstrando como usaram o seu espírito crítico ao longo de todo o percurso até ao resultado final."

Apesar da sofisticação, estas ferramentas não eliminam a necessidade de acompanhamento docente, sobretudo em matérias abstratas. Chris Phillips fez aliás questão de sublinhar que toda esta tecnologia não pretende substituir o elemento humano: "Não acreditamos que a IA esteja aqui para substituir o professor ou colocá-lo de parte. As nossas ferramentas já poupam até 10 horas semanais aos docentes em burocracia, devolvendo-lhes o tempo indispensável para conectar e inspirar os alunos. O verdadeiro avanço reside em ajudar as pessoas a desbloquear o seu potencial, e só lá chegaremos juntos se mantivermos os professores na liderança e fortalecermos a ligação humana entre aluno e educador."

A acompanhar o pacote de novidades pedagógicas, a Google disponibiliza 12 meses de acesso gratuito ao plano Google AI Plus para estudantes universitários. A subscrição desbloqueia o modelo Gemini Omni, duplica os limites habituais de utilização, adiciona 400 GB de armazenamento na nuvem e viabiliza o envio ilimitado de ficheiros para análise académica. Restará saber até que ponto esta oferta gratuita será mantida no futuro – ou se funcionará sobretudo como porta de entrada para a subscrição paga.

As novas funcionalidades do Gemini começam a ser lançadas a partir de hoje em língua portuguesa, enquanto as novidades associadas à Pesquisa e ao Google Lens têm estreia inicial em inglês, com alargamento progressivo aos restantes idiomas previsto para as próximas semanas.

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