Fundo de Resolução pagou o que devia após manobra com empresa de Vieira

O presidente autossuspenso do Benfica terá prejudicado o Novo Banco em 82 milhões de euros.

O Ministério Público acredita que o Fundo de Resolução (FR) assumiu dívidas que não devia suportar depois de manobras financeiras do empresário e presidente do Benfica Luís Filipe Vieira envolvendo a sua empresa Imosteps.

Segundo documentos relativos à investigação a que a agência Lusa teve esta sexta-feira acesso, o presidente autossuspenso do Benfica prejudicou o Novo Banco em 82 milhões de euros.

Ter-se-á apropriado, por outro lado, de oito milhões de euros da Imosteps, pagos ao Novo Banco pelo FR, uma entidade criada em 2012 para apoio financeiro às medidas de resolução aplicadas pelo Banco de Portugal.

Vieira detinha 89,98% da Imosteps e comprou o restante capital, vendendo depois todas as ações ao fundo Portugal Restrutcturing por apenas um euro, o que lhe permitiu livrar-se da garantia pessoal que tinha dado para uma dívida da empresa de 54,3 milhões de euro.

Luís Filipe Vieira, de 72 anos, está indiciado nesta parte do processo Cartão Vermelho por burla qualificada, falsificação de documentos, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada.

Vieira foi um dos quatro detidos na quarta-feira numa investigação que envolve negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros, com prejuízos para o Estado e algumas sociedades.

Segundo o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) estão em causa, globalmente, factos suscetíveis de configurar "crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento de capitais".

Para esta investigação foram cumpridos 44 mandados de busca a sociedades, residências, escritórios de advogados e uma instituição bancária em Lisboa, Torres Vedras e Braga. Um dos locais onde decorreram buscas foi a SAD do Benfica que, em comunicado, adiantou que não foi constituída arguida.

No mesmo processo foram também detidos Tiago Vieira, filho do presidente do Benfica, o agente de futebol Bruno Macedo e o empresário José António dos Santos, conhecido como "o rei dos frangos" e fundador do Grupo Valouro-Avibom.

Os primeiros interrogatórios judiciais relacionados com a investigação foram retomados na manhã de hoje, com a audição do coarguido José António dos Santos, informou o Conselho Superior da Magistratura.

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