Fugitivo de Caxias diz que pagou 100 mil euros aos guardas que o ajudaram

Bitton Matos diz que pagou 25 mil euros a cada um dos quatro guardas que fecharam os olhos para que fugisse da cadeia de Caxias

O luso-israelita Joaquim Bitton Matos, que no passado mês de fevereiro fugiu da prisão de Caixas juntamente com outros dois reclusos, que foram entretanto recapturados, diz ter pago 25 mil euros a cada um dos quatro guardas que o ajudaram a escapar da cadeia.

Em declarações ao semanário Sol, publicadas este sábado, o homem que está em fuga há 104 dias garante que teve ajuda no interior da prisão: "Paguei para conseguir fugir da prisão de Caxias e tive o privilégio de gravar a minha fuga. Dentro daquela espelunca paguei a quatro guardas para fecharem os olhos". Diz que deu, no total, 100 mil euros, "repartidos de forma igual, 25 mil a cada um" dos guardas. Mas não revela a origem do dinheiro e esclarece que denuncia agora os agentes que o ajudaram - o Sol não escreve os nomes, mas Bitton Matos revelou-os - apenas por uma razão: "já não preciso deles".

O fugitivo acrescenta ainda que agiu deliberadamente contra um dos guardas de Caxias, esclarecendo que programou a fuga para quando ele estivesse de serviço: "preguei-lhe uma partida. Queria fugir no dia em que esse chefe estivesse de serviço porque tem a mania que é mau, que mata todos e quis assustá-lo". E acrescenta: "São todos uns corruptos, foi muito fácil comprá-los".

O Sol diz ter confirmado que o chefe em questão, referido por Bitton Matos - ou Jeki Matos, como é conhecido - estava efetivamente de serviço no dia da fuga.

O foragido diz ainda ter comprado um telemóvel na cadeia, a um guarda que vende os aparelhos por preços entre os 350 e os 500 euros aos reclusos que são "amigos".

Bitton Matos tem, por várias vezes, provocado as autoridades através do Facebook, onde vai partilhando os destinos por onde passa - ao Sol, disse já ter passado por Israel e que se encontra agora num "país africano". Há duas semanas, o fugitivo de Caxias reproduziu num vídeo o método que usou para escapar da cadeia e cortar as grades. Não satisfeito, enviava "um abraço aos irmãos de Caxias" e "saudações aos bananas da PJ". "Estou à vossa espera", acrescentava.

Joaquim Bitton Matos, 30 anos, escapou do estabelecimento prisional de Caxias a 19 de fevereiro juntamente com Roberto Ulloa e Jorge Naranjo, dois chilenos que foram capturados em Espanha. Os três aguardavam julgamento em prisão preventiva.

Desde então que a polícia tenta recapturar o recluso, que aguardava julgamento por crimes de furtos e roubos a residências.

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