Há uma "desigualdade gritante" no acesso ao SNS e "tem de se acabar com ela"

Diretor-geral de Saúde diz esta é uma situação de "iniquidade" e acredita que "o ministro da Saúde e o Governo tudo farão para reduzir as iniquidades"

"O filho de um motorista de um qualquer ministro tem um acesso diferente ao SNS [Serviço Nacional de Saúde] por questões culturais", afirma em entrevista ao Jornal de Negócios, publicada hoje, o diretor-geral de Saúde, Francisco George, admitindo a existência de diferenças de acesso aos cuidados de saúde na sociedade portuguesa. Uma situação que classifica de "iniquidade". "Há uma desigualdade gritante e tem de se acabar com ela", sublinha.

A propósito da questão, Francisco George relata um episódio que presenciou quando era delegado de saúde. "Vi um helicóptero ir buscar um doente que tinha tido um enfarte do miocárdio", que "era um quadro distinto", e que "estava a ser acompanhado ao telefone pelo Centro de Transplantes Cardíacos de Lisboa". Na discussão posterior do caso, conta, levantou a questão "de saber se o doente fosse pastor também teria o mesmo tratamento". E o certo é que pouco depois, como relata na entrevista, "houve uma corrida de automóveis, um pastor foi atropelado e o helicóptero do INEM foi buscá-lo".

Sublinhando, por outro lado, que "a saúde dos portugueses é excelente, das melhores do mundo, traduzida pelos indicadores clássicos", como a atual esperança de vida, ou a "muito baixa mortalidade infantil", que é "um sucesso", Francisco George mostra-se convicto de que "o ministro da Saúde e o Governo tudo farão para reduzir as iniquidades do SNS". E avisa: "Todos têm de participar, incluindo os que lá trabalham e a indústria farmacêutica".

Na mesma entrevista, Francisco George aborda ainda outras questões. Uma delas é a legislação do tabaco, com a qual diz não ter ficado inteiramente satisfeito. "Podia-se ter ido mais longe, acabando com as exceções à proibição de fumar em espaços fechados", garante. E numa outra frente, "a proteção da mãe da criança", defende que "temos de voltar aos subsídios", porque "a criança que nasce numa família com poucos rendimentos deve ter as mesma oportunidades da criança que nasce numa família com mais rendimentos".

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