Fénix pede investigação às falhas operacionais do INEM após morte nas Taipas
A Fénix – Associação Nacional de Bombeiros e Agentes de Proteção Civil exigiu hoje “esclarecimento imediato sobre falhas operacionais do INEM”, alertando para “a degradação” do socorro em Portugal.
A reação da Fénix, que assume “profunda preocupação”, surge depois de o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) anunciar que irá averiguar por que motivo foram enviados os Bombeiros Voluntários de Guimarães para socorrer nas Taipas um homem, de 48 anos, e em paragem cardiorrespiratória, que acabou por morrer no local.
A ocorrência registou-se no sábado, na vila das Taipas, concelho de Guimarães, distrito de Braga, apesar de a corporação local dispor de todos os meios operacionais. Os Bombeiros Voluntários das Taipas demorariam entre 3 e 5 minutos a chegar à vítima, segundo o comandante em exercício desta corporação, enquanto os Bombeiros de Guimarães distam cerca de nove quilómetros e perto de 14 minutos da Avenida dos Combatentes do Ultramar, local da ocorrência e que é área de atuação da corporação das Taipas.
“A Fénix entende que este caso não pode ser tratado como um simples episódio isolado ou reduzido a uma eventual falha operacional. A repetição de situações desta natureza exige uma análise séria, transparente e independente sobre a capacidade atual do Serviço Médico de Emergência em Portugal”, refere a associação.
Em comunicado enviado à agência Lusa, a Fénix frisa que “o socorro pré-hospitalar é uma função essencial do Estado”, o qual “não pode depender de incertezas, falhas de gestão, coordenação, limitações organizacionais ou decisões que coloquem em causa o princípio fundamental de garantir uma resposta adequada, atempada e tecnicamente diferenciada a quem dela necessita”.
“Quando um sistema de emergência falha, não está apenas em causa uma ambulância que chega mais tarde. Está em causa a confiança dos cidadãos, a segurança das populações e a credibilidade das instituições públicas responsáveis pela proteção da vida humana”, refere o comunicado.
A Fénix considera que o INEM “atravessa um período de profunda fragilidade institucional e operacional, resultado de anos de decisões estratégicas insuficientes, ausência de uma reforma estrutural e incapacidade de responder aos desafios atuais do pré-hospitalar”.
Para a associação, as responsabilidades “não podem ser permanentemente adiadas ou transferidas para quem está no terreno a tentar colmatar falhas de um sistema que deveria funcionar de forma organizada e previsível”.
“Quem tem responsabilidades de liderança numa instituição desta dimensão tem igualmente o dever de assumir as consequências das opções tomadas e dos resultados alcançados”, defende a Fénix.
Nesse sentido, a associação exige “um esclarecimento público, rigoroso e transparente sobre o processo de decisão que levou ao acionamento daquele meio; a divulgação das conclusões da averiguação realizada pelo INEM, e uma avaliação independente à capacidade operacional e organizacional do Serviço Médico de Emergência”.
A implementação de uma reforma profunda do modelo atual, baseada na evidência científica, no conhecimento técnico e na experiência operacional é outras das exigências da Fénix – Associação Nacional de Bombeiros e Agentes de Proteção Civil.
Na resposta enviada no domingo à Lusa, o INEM indicou que, pelas 12:52 de sábado, recebeu uma chamada para uma paragem cardiorrespiratória de um homem, de 48 anos, que acabaria por morrer no local.
A VMER de Guimarães foi acionada às 12:55, a ambulância dos Bombeiros Voluntários de Guimarães às 12:58 e às 13:05 foi também acionada a equipa de psicólogos do INEM.
Às 13:26, a equipa da VMER comunicou ao Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) que foi verificado o óbito da vítima.
