Fátima ainda espera anúncio oficial mas já prepara visita do Papa

A notícia da confirmação "informal" foi recebida ontem com entusiasmo, mas desde o ano passado que a comunidade acredita na vinda do Papa Francisco, a 13 de maio de 2017

"Eu irei, mas a Fátima." Terão sido estas a palavras do Papa Francisco ao bispo auxiliar de Lisboa, D. Nuno Brás, quando no domingo passado ambos se cruzaram no Vaticano (no final da eucaristia de encerramento do Jubileu dos Catequistas) e o prelado português lhe lembrou "que os portugueses estavam à sua espera no próximo ano". A notícia dessa conversa informal divulgada ontem à tarde pela Agência Ecclesia foi recebida com entusiasmo no Santuário de Fátima.

Apesar de não existir ainda "qualquer confirmação oficial da data ou do programa da visita" - a quarta de um papa ao nosso país -, fonte do gabinete de comunicação disse ao DN que se mantém "uma grande expectativa relativamente aos próximos dias, em que poderemos ter notícias sobre essa visita tão aguardada". E essas poderão surgir durante a peregrinação do dia 13, na próxima semana, já que o santuário recebe a visita de Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, que presidirá às cerimónias.

Em Fátima, entidades religiosas e civis há muito que preparam a comemoração do centenário das aparições, numa quase-revolução que está a mudar a face da cidade, ao mesmo tempo que a população vai beneficiando de um programa cultural intenso, nos últimos meses. Francisco será o quarto papa a visitar Fátima ao longo destes cem anos. Antes dele também estiveram na Cova da Iria outros três: Bento XVI (2010), João Paulo II (em 1982, 1991 e 2000) e Paulo VI (1967), sempre por altura das celebrações do 13 de Maio. Desta vez não será diferente. Francisco recebeu oficialmente o convite de D. António Marto, bispo da diocese de Leiria-Fátima, em abril de 2015, em Roma. Já neste ano, o Presidente da República reiterou-o, embora com âmbito mais alargado, em nome do Estado português.

Até agora, o Papa não dera ainda qualquer resposta positiva aos convites recebidos, sendo certo que a única declaração do Vaticano chegara na semana passada, através do secretário de Estado, confirmando a presença em Fátima em 2017 "como peregrino". No entanto, no meio eclesiástico já crescia o entusiasmo, nomeadamente com a vinda de D. Pietro Parolin à última grande peregrinação antes do centenário.

Depois do encontro no domingo, e da conversa informal com o papa Francisco, o bispo Nuno Brás considera que a visita a Fátima pode mesmo ser dada como certa, "a não ser que aconteça um imprevisto de agenda ou pessoal", disse à Agência Ecclesia. Contou ainda que o Papa manifestou "muita alegria" pelo facto de se deslocar a Portugal, reforçando assim o que tinha dito "aos bispos portugueses durante a visita ad Limina Apostulorum". A 7 de setembro do ano passado, no encontro dos bispos de Portugal com o Papa durante a visita ad Limina, o Papa demonstrou o "desejo profundo" de visitar Fátima ao afirmar: "Tengo ganas de ir a Fátima (quero ir a Fátima)."

Paulo Fonseca, presidente da Câmara de Ourém (que integra Fátima), disse ontem ao DN estar "muito feliz" com a notícia da vinda do Papa, que já esperava. "É um orgulho imenso recebermos em Fátima Sua Santidade, não apenas pelo facto de se tratar do líder espiritual de todos os cristãos, mas também por ser quem é, uma personalidade absolutamente forte, que tem desempenhado um papel fundamental neste tempo difícil que vive a humanidade."

O autarca - que ao longo destes dois mandatos tem percorrido o mundo no âmbito da mensagem de Fátima - considera que a visita será também "o momento em que o país deve acordar para a importância que Fátima tem no mundo", o que até hoje "nunca aconteceu". "O que sinto e vejo é que Fátima é mais conhecida do que o próprio país. A nossa terra tem uma importância universal e isso não tem sido reconhecido", conclui.

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