Falta de 14 mil enfermeiros coloca SNS em “risco de colapso”, alerta ordem
Artur Machado

Falta de 14 mil enfermeiros coloca SNS em “risco de colapso”, alerta ordem

Posição manifestada no Dia Internacional do Enfermeiro, que levou o Conselho Internacional de Enfermeiros a divulgar um relatório que revela uma carência global de 5,8 milhões destes profissionais.
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O Serviço Nacional de Saúde (SNS) necessita de mais 14 mil enfermeiros, alertou esta terça-feira,12, a Ordem, para quem esta falta de profissionais faz com que as unidades de saúde públicas estejam em “risco de colapso”.

“Em Portugal, calcula-se que faltem mais de 14 mil enfermeiros no SNS, um número para o qual a Ordem dos Enfermeiros (OE) tem vindo a alertar sucessivamente, considerando que esta escassez coloca o SNS em risco de colapso”, adiantou a instituição liderada por Luís Filipe Barreira.

A posição da ordem foi manifestada a propósito do Dia Internacional do Enfermeiro, que hoje se assinala, e que levou o Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN, na sigla em inglês) a divulgar um relatório que revela uma carência global de 5,8 milhões destes profissionais de saúde.

“Sem investimento em enfermeiros em Portugal, não conseguiremos garantir a sustentabilidade do SNS”, avisou o bastonário, para quem os atuais profissionais estão “exaustos, desmotivados e sujeitos a um enorme desgaste”.

Por este motivo, de acordo com a OE, mais de um terço dos enfermeiros recém-licenciados em Portugal optam por emigrar para outros países todos os anos, “em busca de melhores condições laborais, reconhecimento profissional e perspetivas de progressão”.

“Nos últimos dois anos, diminuíram ligeiramente os pedidos de declarações por enfermeiros para efeitos de emigração. É um dado positivo, mas, ainda assim, perto de 40% dos enfermeiros recém-licenciados anualmente optam por emigrar”, realçou o bastonário.

Para isso contribuem os salários praticados em Portugal, que tornam difícil acompanhar a remuneração que é oferecida por países como a Suíça, a Bélgica ou Espanha, que é "três a quatro vezes superior”, referiu Luís Filipe Barreira.

A ordem recordou que, em fevereiro, enviou uma carta à tutela a propor a atribuição de enfermeiro de família aos mais de 1,5 milhões de utentes que, no final de 2025, não tinham médico de família, no sentido de garantir o seu acesso atempado aos serviços de saúde.

De acordo com a OE, a medida permitiria ainda “mitigar desigualdades estruturais” de acesso a cuidados, sobretudo em situações de “dupla penalização”, uma vez que atualmente o enfermeiro de família só é atribuído aos utentes com médico de família.

Segundo o relatório do ICN, os enfermeiros abandonam os seus empregos ou mesmo a profissão devido ao ‘burnout’, a condições de trabalho e dotações inseguras, mas também devido aos “níveis inaceitáveis” de violência no local de trabalho e baixos salários.

Numa reação ao documento, que preconiza maior valorização do exercício profissional, o bastonário defendeu uma reorganização dos cuidados de saúde em Portugal que permita “um aproveitamento pleno das competências dos enfermeiros”, acrescentando que a OE tem apresentado várias propostas nesse sentido.

Apontou o exemplo da possibilidade de acompanhamento da gravidez de baixo risco por enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica nos cuidados de saúde primários, um projeto que consta de um despacho de fevereiro, mas que “continua parado”.

Em comunicado, o bastonário acusou a Direção Executiva do SNS de, através de uma reinterpretação do despacho, “subtrair competências aos enfermeiros especialistas”, relativas à requisição de meios complementares de diagnóstico ou à prescrição de suplementação e terapêutica necessária durante a gravidez.

Outra proposta que a OE considera continuar a enfrentar resistências em Portugal é a prescrição por enfermeiros, alegando que “constitui uma prática consolidada em inúmeros países”.

“O alargamento de competências dos enfermeiros deverá incluir a prescrição de ajudas técnicas, dispositivos e materiais de apoio, bem como a prescrição protocolada de medicamentos, reforçando a capacidade de resposta em tempo útil e clinicamente alinhada com as necessidades dos utentes”, defendeu a OE.

Segundo o relatório, o reforço da força de trabalho em saúde, da qual os enfermeiros "constituem o segmento mais importante e mais crítico", poderá evitar 189 milhões de anos de vida perdidos devido a morte prematura ou incapacidade até 2030, além de gerar um impacto económico estimado em 1,1 mil milhões de dólares (930 milhões de euros) a nível mundial.

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Mais de mil médicos e enfermeiros reformaram-se do SNS. Bastonários falam em “impacto brutal”
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