Os primeiros aviões do Air Invictus já abriram as hostilidades no Porto e em Gaia para um “bálsamo desejado” para os comerciantes, um “evento do caraças” para os turistas e um momento “seja o que Deus quiser” para as autoridades.Passava pouco do meio-dia quando o primeiro “pássaro de ferro” rasgou o céu do rio que, com cinco pontes, une as cidades do Porto e de Vila Nova de Gaia. Pelas margens, quem lá estava, mirou ao céu. A piada, só entendida pelos mais velhos, fez-se: “É o Super-homem? É um pássaro? Não, desta vez é mesmo um avião”, e soltaram-se risos e aplausos.O dia no cais de Gaia começou cedo. “Começa sempre, com ou sem aviões”, lamentou António, empregado de mesa num dos (muitos) cafés virados para o rio. Hoje, a lógica é outra: “Montámos bancas viradas para dentro porque é por onde vão passar as pessoas. Temos de tudo, bolos, salgados, bebidas, gomas e até flores”, disse. “Este dia, espero eu, é um bálsamo desejado para as nossas contas. Já sentimos alguma restrição ao consumo, mas nestes dias as pessoas tendem a abrir mais os cordões à bolsa”, desejou.O “grande momento”, o da corrida, tem início marcado para as 15:30. Talvez por isso as margens do Douro, cerca das 12:00, ainda estavam circuláveis, não há ainda grandes concentrações de público. Exceto nos locais com sombra: “Viemos cedinho. O sol vai apertar e assim garantimos lugar”, explicou à Lusa um casal que veio de Guimarães, felizes com o recanto encontrado. A felicidade foi-se com o vento do primeiro avião e a constatação que o sol ia invadir o local. “Adeus, sombra”, despediram-se.“Isto está bom é para o turista”, diz-se em conversa. O turista concorda: “Viemos de Pontevedra de propósito. Bem, também aproveitamos e comemos uma Francesinha. Mas queremos mesmo é ver o espetáculo”, disse à Lusa Pablo (Babito, segundo os amigos).Expetativas? “Vai ser um evento do caraças”, respondeu Babito, numa tradução ponderada. Do grupo de Babito, composto por mais quatro galegos, acercou-se um outro grupo de oito muito pouco latinos irlandeses. Uma mão com uma cerveja, a outra com binóculos.“A vossa cerveja é boa. Assim vai ser difícil focar nos aviões”, gracejou Pether. Vieram da Irlanda na quinta-feira, contaram que já beberam muito, dançaram, foram à praia e andaram a provar vinho do Porto, uma iguaria “demasiado forte” para eles. “Vá-se lá entender esta juventude”, comentou António, sentado numa soleira, que pediu que lhe traduzisse a conversa.António e o grupo trocaram palavras, amavelmente traduzidas pela filha do português, e, cinco minutos depois, o grupo apontava uma morada para comer “umas belas tripas”, mesmo sem terem percebido lá muito bem que iguaria era aquela.Pelas margens do Douro, a presença das autoridades é notória, são muitos os agentes da PSP que vigiam e também olham para o céu. “Já que aqui estamos também vemos”, disse um agente à Lusa.“Viemos preparados para isto ter milhares de pessoas. Ainda está calmo, mas vai encher. O português almoça em casa para poupar uns trocos de vem depois. Para já, não nos chegou nenhum problema, mas, olha, seja o que Deus quiser”, vaticinou o agente.Pelas margens do Douro, além dos F16 da Força Aérea Portuguesa em exposição do lado de Gaia, haverá uma “batalha de DJ” e pelas 15:30 arranca a corrida e o espetáculo de acrobacias aéreas.Na noite de sexta-feira, realizou-se, na praia do Titan em Matosinhos, um espetáculo com 3090 drones que foi certificado pelo Guinness World Records, apresentado no âmbito do festival.