Os embaixadores do Pacto Climático Europeu pediram hoje à Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) para mobilizarem as Câmaras a tomarem medidas que protejam as populações dos efeitos dos incêndios na saúde ao longo do verão.“Os embaixadores do Pacto em Portugal apelam à ANMP para que as Câmaras Municipais se assumam como a primeira linha de proteção das populações dos efeitos dos incêndios. Os incêndios provocam crises respiratórias, agravam doenças cardiovasculares e deixam marcas profundas na saúde mental das populações”, alertaram.O apelo, dirigido ao presidente da ANMP, Pedro Pimpão, surgiu no âmbito das comemorações do Dia Europeu das Vítimas da Crise Climática, assinalado na quarta-feira, e que contará com apresentação oficial na sessão pública “Saúde e Clima: do Apelo à Ação”, organizada pelo Pacto Climático Europeu, a Comunidade Lidera e a Câmara Municipal de Matosinhos, liderada por Luísa Salgueiro, que presidiu à ANMP no mandato anterior.Em comunicado enviado à agência Lusa, a embaixadora do Pacto Climático Europeu e especialista em políticas para o desenvolvimento sustentável, Luísa Barateiro, afirmou que “Portugal é um dos países europeus mais vulneráveis aos incêndios florestais”.“Com as alterações climáticas a intensificarem os períodos de seca e as ondas de calor, a intervenção dos municípios é crucial para defender os portugueses de uma ameaça estrutural ao seu território, às comunidades e à saúde pública”, sustentou.Entre as medidas propostas pelos embaixadores do Pacto Climático Europeu está a identificação e acompanhamento das populações mais vulneráveis, o reforço dos planos municipais de saúde com protocolos específicos para exposição ao fumo, a retirada de doentes crónicos e apoio psicossocial pós-incêndio, bem como uma maior articulação com o sistema nacional de saúde.Segundo o embaixador do Pacto Climático Europeu e médico especialista em Saúde Pública, José Chen, é fundamental sensibilizar autarcas e a sociedade civil para a importância da prevenção, do ordenamento do território e da articulação intersetorial para proteger a saúde do impacto das alterações climáticas.“Os impactos dos incêndios vão muito além da destruição paisagística: o fumo provoca crises respiratórias agudas, agrava doenças cardiovasculares, contamina recursos hídricos e deixa marcas profundas na saúde mental das populações expostas, em particular nas comunidades rurais e em grupos mais vulneráveis”, indicou.No apelo, os embaixadores do Pacto Climático Europeu reconheceram o “papel insubstituível” das autarquias na construção de territórios mais resilientes, uma vez que “é nos municípios que se tomam as principais decisões de prevenção e de proteção das populações”.“A adaptação climática em Portugal está demasiado lenta, desarticulada e, sobretudo, profundamente desigual: as autarquias têm de assumir um papel de maior responsabilidade e protagonismo na adaptação dos territórios e dos serviços públicos à realidade dos incêndios que, todos os anos, assola o país”, concluiu Luísa Barateiro..Pacto Climático Europeu pede às autarquias para aplicaram a lei das beatas.Francisco Ferreira: “Portugal está entre os países mais vulneráveis da Europa às alterações climáticas"