O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulga nesta terça-feira, 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, um relatório sobre o estado de saúde dos portugueses em que alerta para o facto de quase 40% da população (39,4%) com 16 ou mais anos registar sintomas de ansiedade generalizada. Estes dados foram recolhidos em 2025 através do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR), levado a cabo pelo INE, e revelam ainda que 11,3% da população que dizia sentir ansiedade regista níveis graves. Para o INE, os resultados obtidos pelo ICOR “refletem um aumento significativo da proporção da população afetada por sintomas de ansiedade generalizada (mais 7,4 p.p. em relação aos 32,0% registados no ano anterior)”, sendo ainda afetadas mais mulheres do que homens (46,2% e 31,2%, respetivamente). O mesmo acontece nos casos de ansiedade mais grave (14,6% eram mulheres e 7,2% homens). O indicador global de ansiedade generalizada era também mais elevado na população idosa (mais 3,0 p.p., considerando o indicador global de transtorno de ansiedade generalizada, e mais 3,5 p.p. considerando o critério de maior severidade).Por outro lado, o mesmo inquérito revela que 52,7% da população com 16 ou mais anos avaliou o seu estado de saúde como “muito bom ou bom” - valor mais baixo do que o registado em 2024 (53,6%), mas superior ao verificado nos três primeiros anos desta década, cuja avaliação ficou entre os 49,5% e os 51,0% - enquanto 12,1% da população avaliou negativamente o seu estado de saúde, um valor idêntico ao de 2024, mas mais baixo do que os registados em 2021 e 2023 (13,1% e os 13,5%), respetivamente.De acordo com o ICOR, os homens (56,5%) dizem sentir-se com melhor estado de saúde do que as mulheres (49,3%), sendo que este estado positivo é substancialmente mais elevado na população dos 16 aos 64 anos (66,0%) comparativamente com a população com 65 ou mais anos (19,1%).Em relação à doença crónica ou problemas de saúde prolongados, o inquérito indica também que as mulheres são mais afetadas do que os homens, numa proporção de 47,6% para 40,2%, sendo a população idosa a mais afetada: 69,7% da população com 65 ou mais anos por comparação com 33,9% da população com menos de 65 anos. Ao mesmo tempo, 23,8% da população com 16 ou mais anos indicava também sentir-se limitada na realização de atividades consideradas habituais para a generalidade das pessoas devido a problemas de saúde. Ou seja, 19,0% referiam sentir-se limitados, mas não severamente, enquanto 4,8% referiam limitação severa. As mulheres e a população idosa foram os que referiram com maior frequência alguma limitação na realização de atividades (no primeiro caso, 27,2% em relação a 19,9% dos homens, e, no segundo caso, 47,5%, em relação a 14,4% para a população não idosa), sendo a diferença etária mais evidente quando existem limitações severas: 11,4% nas pessoas com 65 ou mais anos e 2,1% nas pessoas com menos de 65 anos.População da Grande Lisboa sente-se mais saudávelO ICOR veio demonstrar também que a proporção de pessoas com uma perceção boa ou muito boa do seu estado de saúde (60,8%) era mais elevada na Grande Lisboa e a mais baixa na região Centro (44,8%), a par da região Oeste e Vale do Tejo - estas duas registavam também as proporções mais elevadas de avaliações negativas do estado de saúde (15,5% e 15,6%, respetivamente).O INE explica que, do ponto de vista regional, “as maiores proporções de residentes com alguma limitação na realização de atividades devido a um problema de saúde (28,5%) e com limitação severa (6,3%) foram registadas na região Oeste e Vale do Tejo, e as mais baixas na Grande Lisboa (19,4% com alguma limitação e 3,8% com limitação severa)”. A proporção de residentes que referiram a existência de doença crónica ou problemas de saúde prolongados foi mais elevada na Região Autónoma da Madeira (47,5%) e nas regiões Centro (46,8%), Oeste e Vale do Tejo (46,7%) e Norte (45,2%). As restantes regiões registaram valores abaixo da média nacional (44,1%), com o Algarve a apresentar o valor mais baixo (38,5%).No que toca à esperança média de vida, o INE salienta que, em 2023, esta era à nascença de 85,3 anos para as mulheres e de 79,5 anos para os homens. No entanto, a estimativa de anos de vida saudável à nascença era mais baixa para as mulheres (58,3 anos) do que para os homens (61,0 anos), alertando mesmo para o facto de o ajustamento relativo às limitações devido a problemas de saúde estar a fazer diminuir em quase 13 anos a expectativa de uma vida saudável para a população em geral, sendo esta expectativa mais penalizadora para as mulheres (7,8 anos) do que para os homens (9,1 anos). Comparando estes dados com a média europeia, o INE destaca que a esperança de vida com saúde à nascença era de 61,0 anos para os homens, menos 1,8 anos do que a média europeia (62,8 anos) e de 58,3 anos para as mulheres, menos 5,0 anos do que a média europeia (63,3 anos na UE-27). Portugal era também um dos dez Estados-membros o número de anos de vida sem limitações à nascença para um bebé do sexo masculino era superior à de um bebé do sexo feminino, tendo registado a segunda maior diferença (2,7 anos), apenas ultrapassada pelos 3,1 anos registados nos Países Baixos.Portugal próximo da esperança de anos de vida saudável da UENo mesmo ano, e considerando a esperança de anos de vida saudável aos 65 anos, Portugal posiciona-se próximo da média europeia no que se refere à população masculina (9,1 anos em Portugal e 9,2 anos na UE-27), mas mais afastado no que se refere às mulheres, com uma diferença de menos 1,8 anos (7,8 anos em Portugal e 9,6 na UE-27). Em 2025, Portugal era o 7.º país da UE com a esperança de vida com saúde aos 65 anos mais baixa para as mulheres e aquele que registava a maior diferença entre ambos os sexos (1,3 anos em favor dos homens), que compara com mais 0,4 anos para as mulheres em relação aos homens na média dos países da UE-27.Taxas de mortalidade por acidente aumentam nos jovens entre os 15 e os 24 anosOutro dos items destacado pelo INE no relatório agora divulgado respeita as mortes por acidentes rodoviários, que afetam sobretudo os mais jovens e também os mais idosos. “O número de mortes de residentes em Portugal devido a acidentes rodoviários em 2024 foi de 6,0 por 100 mil habitantes (6,7 no ano anterior), mais elevado para os homens do que para as mulheres (9,9 e 2,3, respetivamente)”, lê-se no documento, que sublinha que “as taxas de mortalidade aumentam significativamente a partir do grupo etário dos 15 aos 24 anos, com uma taxa de 8,3 óbitos por 100 mil pessoas em 2024, destacando-se ainda as registadas para os grupos etários dos 25 aos 34 anos e dos 75 ou mais anos: 7,7 em ambos os casos”.No ano de 2024, a taxa de mortalidade por acidentes rodoviários mais elevada foi registada na região do Alentejo (11,8). Em 2024, a taxa de mortalidade por doenças do aparelho circulatório, tumores malignos, diabetes mellitus e doenças crónicas respiratórias entre os 30 e os 70 anos foi de 267,9 pessoas por 100 mil habitantes, inferior ao registado no ano anterior (271,3 no ano anterior) e em 2015 (283,3). A taxa de mortalidade dos homens atribuída ao conjunto das quatro doenças em análise tem sido, nas últimas duas décadas, cerca de duas vezes a das mulheres: em 2024, foi de 370,8 para os homens e de 173,3 para as mulheres.A taxa de mortalidade por suicídio foi, em 2024, de 9,0 por 100 mil habitantes, registando uma redução em relação ao ano anterior (9,8). Nos últimos 20 anos, a taxa de mortalidade por suicídio tem sido persistentemente superior nos homens: entre 3 a 4 vezes a das mulheres (em 2024, 14,2 em relação a 4,3 no sexo feminino). Desde 2015, as taxas mais elevadas têm sido registadas no Alentejo, no Algarve e na Região Autónoma dos Açores. Em 2024, a taxa de mortalidade por suicídio mais elevada foi registada no Alentejo (17,3), seguindo-se o Algarve (12,9) e a Região Autónoma dos Açores (12,0). A taxa de mortalidade devido a fontes de água insalubre ou a condições de saneamento e higiene deficientes ou inexistentes foi de 4,0 por 100 mil habitantes em 2024, o que traduz uma diminuição em relação a 2023 (4,9). .Pouca atividade física, mas campeões no álcool: como compara a saúde dos portugueses com a restante OCDE