Hoje, há 50 anos, o DN dava grande destaque ao lançamento em Paris da edição russa de “O Arquipélago Gulag”, de Aleksandr Soljenítsin. Poucos eventos culturais ocorridos na Europa poderiam servir mais os propósitos de propaganda anti-soviética do regime..O jornal assinalava que o livro tinha saído clandestinamente da URSS trazido pelo advogado suíço Hebb, encarregado dos interesses do escritor na Europa. A obra era agora publicada primeiro em russo e “dentro de semanas” seria publicada a sua tradução em francês..Mais dizia que há muito que o KGB sabia que a obra existia. A certa altura terá prendido uma “jovem mulher”: “Aos fim de cinco dias de interrogatórios, a jovem entregou-lhe uma cópia datilografada do livro, suicidando-se depois, desesperada”..Para o autor da notícia, era preciso ler duas vezes o romance para “captar toda a sua profundidade” e “compreender todas as [suas] alusões e referências”. Trata-se de um livro que “se mete pela política dentro, pela arte pura, pela literatura presente e passada, que estuda em profundidade os horrores do sistema estaliniano”. “O Arquipélago Gulag é para Soljenítsin a mancha indelével dos milhares de ilhotas formadas por milhões de homens prisioneiros e deportados políticos e espalhadas pela Rússia de Estaline. Uma prisão enorme que cobriu toda a Rússia no reinado desse tirano, para quem o autor pede um processo a título póstumo e que sejam entregues à justiça todos os seus cúmplices”.