ANTÓNIO COTRIM/LUSA
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"Efetivo envelhecido, exausto e desmotivado". Sindicato da PSP pede reunião urgente a IGAI

Agravamento das condições de trabalho, escassez do efetivo e abusos no corte de folgas são problemas apontados pela ASPP/PSP, que pede uma reunião urgente ao Inspetor-Geral da Administração Interna.
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O "agravamento das condições de trabalho" e a "falta de resposta aos problemas que afetam os polícias" estão na base do pedido feito pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) para uma "reunião urgente" ao Inspetor-Geral da Administração Interna (IGAI).

A estrutura representativa dos agentes da PSP refere que a reunião tem como objetivo "fundamentar presencialmente" as "queixas e exigir medidas que ponham fim à normalização do abuso sobre os profissionais", indica a força de segurança, em comunicado, divulgado no domingo, 11 de janeiro.

O ofício tem "caráter de urgência" e o conhecimento do Ministério da Administração Interna e da Direção Nacional da PSP, refere a associação sindical, que aponta os vários problemas que afetam a polícia.

"A ASPP/PSP expôs formalmente a degradação da gestão de recursos humanos, destacando que a escassez de efetivo tem sido colmatada através de um abuso generalizado no corte de folgas (com ou sem despacho de exceção). Esta prática, focada em assegurar serviços remunerados e formações, ignora a dimensão humana do polícia", lê-se na nota.

"Temos profissionais a trabalhar 28 dias seguidos", denuncia Paulo Santos, presidente da ASPP/PSP, em declarações à Antena 1. "Estamos a falar de elementos profissionais de segurança que andam armados, conduzem carros de patrulha e que têm de ter uma destreza, quer psíquica quer física, para responder a ocorrências policiais de enorme complexidade e risco", adianta.

Perante este cenário, a estrutura sindical alertou as consequências diretas, que passam pela saúde mental, como o burnout, devido a "um efetivo envelhecido, exausto e desmotivado".

No que diz respeito à "insegurança operacional", a associação sindical alerta para "o perigo de manter profissionais armados em cenários exigentes sem o devido descanso", além de apontar o "desrespeito estatutário", mais concretamente "a utilização abusiva do dever de disponibilidade para atropelar o direito elementar à folga".

O documento enviado ao IGAI realça ainda os "pontos críticos que exigem intervenção imediata", como a "inexistência de horas suplementares na PSP", os "compromissos com entidades privadas sem que haja efetivo disponível para os cumprir" a "falta de compensação posterior pela supressão de folgas".

A ASPP/PSP denuncia também "procedimentos disciplinares abusivos contra quem invoca indisponibilidade para gratificados" e lamenta a "ausência de políticas governamentais que resolvam problemas estruturais".

Perante "a gravidade da situação e o facto de denúncias anteriores não terem surtido o efeito necessário", a associação sindical solicitou ao IGAI "uma reunião com a máxima celeridade".

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