Dois mortos em derrocada em Lisboa

Vítimas eram trabalhadores de construção civil. Autoridade para as Condições de Trabalho revela que "duas pessoas terão morrido"

Duas pessoas terão morrido esta tarde na sequência da derrocada de parte de um prédio na Rua Alexandre Herculano, em Lisboa, segundo a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT). As vítimas serão os trabalhadores da construção civil que trabalhavam no edifício.

O incidente ocorreu cerca das 12:00 de hoje, num prédio antigo que estava em obras. Cerca das 14:00 horas os bombeiros sapadores confirmaram a existência de pelo menos um morto, um trabalhador da empreitada, de nacionalidade portuguesa. O colega desaparecido é também português e, segundo o JN, ambos serão de Fafe.

Pelas 16:00, os bombeiros continuavam a tentar remover escombros da derrocada, para que a equipa de resgate consiga encontrar o homem dado como desaparecido, frisando tratar-se de uma operação demorada.

"Os bombeiros estão a proceder aos trabalhos de remoção dos elementos que colocam em perigo a equipa de resgate, mas será um trabalho demorado", avançou o comandante dos Sapadores Bombeiros, Pedro Patrício.

"Há apenas a registar ainda uma vítima mortal identificada e visível e um desaparecido que deduzo que esteja debaixo de escombros localizados pelos cães", referiu o porta-voz da PSP de Lisboa, Sérgio Soares, ao início da tarde.

António Vinagre, adjunto do chefe da sala de operações do Regimento de Sapadores Bombeiros, explicou ao DN que o que caiu foi parte da fachada de trás do prédio de cinco andares, a qual dá para um saguão.

Pedro Patrício explicou ainda à Lusa que "três pisos derrocaram, com as lajes interiores a caírem para dentro daquilo que se chama de saguão". Quanto ao trabalhador que morreu após a derrocada, o comandante dos Sapadores disse que o corpo já foi identificado e será "retirado em breve", depois de serem removidos os elementos que colocam em risco as equipas de resgate.

Em relação às causas da derrocada, o responsável escusou-se a adiantar razões, frisando que se trata de "questões técnicas" que só depois vão ser avaliadas. A ACT afirmou em comunicado que tanto o inspetor-geral como vários outros inspetores estão no local. O empreiteiro da obra é o Grupo Casais.

Entretanto, o inspetor Pedro Pimenta Braz disse aos jornalistas no local ser prematuro avançar com as causas da derrocada, porque as autoridades ainda não conseguem ir ao local. "É muito complicado apurar as causas da derrocada porque a instabilidade é muito grande e o acesso ao local está interdito pela Proteção Civil. As instabilidades numa demolição não podem existir, por isso é que existem normas de segurança. Não existem acidentes por acaso", afirmou, mostrando-se preocupado por, no meio da cidade de Lisboa, morrer uma pessoa a trabalhar". Isso "não pode acontecer em países modernos".

A Polícia Municipal indicou que o trânsito está cortado no local, onde foi montado um perímetro de segurança. A Rua Alexandre Herculano situa-se junto ao Marquês de Pombal, atravessa a Avenida da Liberdade em direção ao Largo do Rato.

O 'site' da Autoridade Nacional de Proteção Civil dá conta de um "desabamento de estruturas edificadas" que mobiliza um total de 31 homens e nove viaturas, depois de o alerta ter sido dado às 12:12.

O trânsito na Rua Alexandre Herculano esteve fechado mas foi reaberto por volta das 14:30, continuando ainda fechada a Rua Rodrigo da Fonseca, constatou a Lusa no local. Apesar de a entrada principal do edifício se fazer pelo número 41 da Rua Alexandre Herculano, no centro da cidade, o imóvel localiza-se na esquina com a Rua Rodrigo da Fonseca.

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