Twinkle escrevia em português de forma muito específica, utilizando expressões tipicamente nacionais, como “custou os olhos da cara”.
Twinkle escrevia em português de forma muito específica, utilizando expressões tipicamente nacionais, como “custou os olhos da cara”.Foto: DR

Documentário da BBC mostra bastidores da prisão do "maior pedófilo português de sempre"

Nuno Melo, de nickename 'Twinkle', é considerado o maior pedófilo português. Está preso a cumprir uma pena de 25 anos de prisão.
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A BBC estreou esta semana o documentário sobre crimes de abuso sexual de menores intitulado The Darkest Web (A Internet mais sombria, em tradução livre). Entre os casos abordados está o do pedófilo português Nuno Melo, condenado a uma pena de prisão de 25 anos.

Os investigadores Greg Squire e Pete Manning são figuras centrais do documentário, por serem especialistas no rastreio de pessoas que abusam sexualmente de crianças e partilham imagens desses crimes online. Um deles acompanhou a Polícia Judiciária (PJ) no momento da detenção do cidadão português, que residia em Águeda.

Na altura, foi desenvolvido um intenso trabalho de investigação ‘online’ para identificar o então suspeito, que utilizava a alcunha Twinkle em fóruns da internet. Em 2017, a PJ recebeu informação da polícia australiana, que havia detido um suspeito por crimes de pedofilia e apreendido conteúdos provenientes do fórum Baby Heart. Entre o material recolhido havia publicações em português e referências a um endereço associado a uma operadora de telecomunicações nacional, o que constituiu o primeiro indício de que o responsável pela rede poderia ser português.

A PJ integrou então uma task force internacional, envolvendo a Interpol, a Europol e a agência norte-americana Homeland Security Investigations, especializada em investigação digital. Os investigadores analisaram cuidadosamente vários pormenores, incluindo a forma de escrita do suspeito. Twinkle escrevia em português de forma muito específica, utilizando expressões tipicamente nacionais, como “custou os olhos da cara”, difíceis de reproduzir através de tradutores automáticos.

Com recurso a bases de dados internacionais, foram cruzados os ficheiros da ferramenta Trace an Object da Europol — que identifica objetos e peças de vestuário associados a abusos de crianças — com fotografias recolhidas nas redes sociais. Após uma análise minuciosa de todas as imagens apreendidas, os investigadores chegaram à identidade do suspeito, que foi detido em junho de 2017. Foi apanhado em flagrante delito com duas crianças, todos nus. À data, tinha 27 anos e vivia com os pais.

A relevância do trabalho desenvolvido pelo Laboratório de Polícia Científica (LPC) neste processo levou a Polícia Judiciária a receber um prémio internacional. O caso foi igualmente apresentado em iniciativas da Europol como exemplo de sucesso de investigação criminal e de cooperação internacional.

O Ministério Público acusou o arguido de 583 crimes de abuso sexual de crianças e de 73.577 crimes de pornografia de menores. A sentença foi proferida pelo Tribunal Central Criminal de Lisboa, em dezembro de 2019. Nuno Melo foi condenado a 25 anos de prisão, pena que cumpre no Estabelecimento Prisional da Carregueira, em Sintra.

amanda.lima@dn.pt

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