O diretor nacional da PSP criticou esta quarta-feira (14) o que considerou ser um processo "um bocado kafkiano" que atrasa a instalação de sistemas de videovigilância no país, nomeando em concreto a postura da Comissão Nacional de Proteção de Dados.."O processo que temos, de concessão e autorização de instalação dos sistemas de videovigilância, é um processo frustrante, resulta da lei, um bocado kafkiano e com diversos intervenientes com visões completamente distintas das questões da segurança, nomeadamente a Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), tem de se dizer. Portanto, há aqui ainda muita matéria, muita área para melhorar", disse Magina da Silva, em Faro..O diretor nacional da PSP discursava durante a apresentação do programa 'Verão Seguro', realizada na capital algarvia..Magina da Silva frisou que "é difícil explicar a um senhor presidente de câmara que está disposto a investir na videovigilância que, a correr bem, [em] dois aninhos, dois anos, poderá ver as câmaras instaladas"..Para o responsável, é necessário "ultrapassar alguns traumas do Estado Novo, do 'Big Brother', do que lhe queiram chamar", no sentido de "incorporar definitivamente a videovigilância como uma ferramenta de segurança pública", considerada essencial para os objetivos de prevenção criminal, repressão criminal e resposta em tempo útil.."Não podemos ter um polícia em cada esquina, mas podemos ter uma câmara em cada esquina e um polícia a olhar para as câmaras todas", salientou o diretor nacional da PSP..Magina da Silva reconheceu que, face à falta de recursos humanos, "a ferramenta de videovigilância de espaços públicos e de acesso de público é fundamental".."Não vamos ter mais polícias, não temos nem parece que vamos ter muitos mais polícias, temos é de fazer melhor com os que temos", acrescentou, lembrando que o sistema de videovigilância permitiu identificar "rapidamente" os autores de agressões a um imigrante nepalês em Olhão, no final de janeiro..Confrontado com as declarações de Magina da Silva, o ministro da Administração Interna afirmou concordar "com a necessidade de tornar mais ágil o processo, porque de facto não é possível estar dois a três anos a aguardar por um despacho definitivo".."É um trabalho que tem de ser feito por todas as instituições. Procuraremos desbloquear naquilo que são competências nossas. (...) É evidente que nós precisamos de, com maior celeridade, responder a esses pedidos que temos hoje dos municípios portugueses", sustentou José Luís Carneiro sobre as "capacidades de resposta às necessidades que são cada vez mais urgentes"..O Governo pretende também desenvolver os modelos de videovigilância, nomeadamente com sistemas de alarmística, ou seja, "mecanismos de alerta precoce quando há elementos indiciários que possam constituir risco, e portanto permitindo preposicionar os meios operacionais", explicou o ministro da Administração Interna.."Ou seja, se tivermos um carro a entrar em contramão numa rotunda ou numa autoestrada, termos um sistema de videovigilância que, além de gravar a imagem, possa emitir um alarme para as forças de segurança, permitindo uma resposta mais célere", exemplificou.