Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa.
Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa.FOTO: Gustavo Bom

Diretor clínico da ULS Lisboa Ocidental apresenta demissão

Médico sai da instituição numa altura em que existem existem várias denúncias sobre o ambiente de trabalho vivido no Serviço de Gestão de Recursos Humanos da ULS.
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João Gamelas apresentou a demissão do cargo de diretor clínico para a área hospitalar da ULS Lisboa Ocidental por razões pessoais, mas reconhece que "o problema que se vive na confiança e na relação com os profissionais" pesou na decisão.

O médico sai da instituição numa altura em que existem existem várias denúncias sobre o ambiente de trabalho vivido no Serviço de Gestão de Recursos Humanos da ULS, que integra os hospitais São Francisco Xavier, Egas Moniz e Santa Cruz, além de 19 centros de saúde com 40 unidades funcionais nos cuidados de saúde primários.

O clínico demissionário, que iniciou o mandato em setembro de 2024 e terminaria em 31 de dezembro deste ano, disse à Lusa que apresentou o pedido de demissão em março, mas teve de dar dois meses à instituição, tendo deixado o cargo e a Unidade Local de Saúde Lisboa Ocidental este domingo, 31 de maio.

O especialista, que foi também diretor de Serviço de Urgência e dirigiu o Serviço de Ortopedia e Traumatologia, da ULS Lisboa Ocidental, invocou razões pessoais.

"Vou mudar para uma vida mais consentânea com os meus 65 anos de idade, mas deixo com muita pena a instituição, ao fim de tantas décadas, e tantos, tantos amigos, ainda para mais numa situação tão difícil como a que vivemos no momento", afirmou, citado pela agência.

Gamelas reconheceu ainda que "o problema que se vive na confiança e na relação com os profissionais" pesou na decisão que tomou em março e desejou "as maiores felicidades para a organização e para todos, com a confiança de que melhores dias virão".

A Lusa, que cita fontes da instituição, diz que a situação tensa vivida nos recursos humanos terá sido um dos fatores que levaram o médico a renunciar ao cargo.

O funcionamento da área de Gestão de Recursos Humanos da ULS Lisboa Ocidental levou o bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Luís Filipe Barreira, a enviar, na passada sexta-feira, um ofício à presidente do Conselho da instituição, Isabel Aldir, a pedir esclarecimentos sobre a situação.

As situações reportadas incluem referências a degradação do ambiente laboral, excessiva burocratização de procedimentos, dificuldades de relacionamento institucional com profissionais de saúde e lideranças intermédias, atrasos em processos administrativos relevantes para os trabalhadores, bem como preocupações quando ao impacto destas circunstâncias na estabilidade das equipas, nas dotações de enfermagem e na capacidade de resposta assistencial.

Estas situações serão já do conhecimento do Conselho de Administração, mas não são conhecidos, porém, desenvolvimentos relativamente às preocupações manifestadas pelos profissionais.

Recorde-se que o Diário de Notícias noticiou, em março, que a Inspeção-Geral das Atividades da Saúde (IGAS) está a investigar a organização e o funcionamento do Serviço de Gestão de Recursos Humanos, bem como "a legalidade dos processos" de contratação de profissionais no último ano, desde que o diretor do serviço, André Coelho Dias, assumiu funções.

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