Direção-Geral de Energia diz que apagão foi "teste real" positivo
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Direção-Geral de Energia diz que apagão foi "teste real" positivo

Paulo Carmona assegura que o sistema elétrico nacional é estável e que a recuperação autónoma reforça a confiança na infraestrutura nacional, apesar do incidente de abril.
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O diretor-geral da Energia e Geologia (DGEG), Paulo Carmona, defendeu esta quarta-feira (21) no Parlamento que o apagão ocorrido a 28 de abril não deve ser visto apenas como uma falha, mas sim como um "bom teste" que validou a robustez do sistema elétrico nacional. Durante uma audição no Grupo de Trabalho dedicado ao incidente, o responsável sublinhou que a rede "é estável" e que não foram detetadas "debilidades estruturais" que comprometam a segurança energética do país.

Paulo Carmona foi categórico ao afirmar que "o sistema é estável, não há nenhuma debilidade do sistema", disse, citado pela Lusa, reforçando que o episódio serviu para demonstrar a eficácia dos mecanismos de emergência em condições reais de stresse. O responsável afastou qualquer cenário de interferência externa, esclarecendo que o colapso não resultou de ações maliciosas. "Não foi ciberataque, não foi terrorismo, não foi nocivo", declarou.

Um dos aspetos mais positivos destacados pelo diretor-geral foi a capacidade de resposta autónoma de Portugal. Através dos sistemas de black start -- que permitem reiniciar centrais elétricas sem auxílio externo --, o país conseguiu restabelecer a rede de forma independente. "Nós conseguimos reiniciar isto sozinhos", afirmou Carmona, notando que esta autonomia, comprovada durante o restabelecimento da alta tensão logo após a meia-noite, é um "fator de confiança" determinante para a segurança do país.

O "teste real" permitiu ainda comprovar que Portugal é capaz de manter a segurança energética mesmo em isolamento. Carmona revelou que o sistema operou durante cerca de um mês e meio "praticamente em autarcia", dependendo exclusivamente de recursos próprios. Esta experiência serviu para identificar os pontos de melhoria necessários, traduzindo-se agora num plano de investimento de 137 milhões de euros. Este montante será aplicado no reforço do controlo de tensão e na entrada em funcionamento de sistemas de black start em mais duas centrais.

Para o futuro, a DGEG aposta na integração de baterias para compensar a variabilidade das energias renováveis e introduzir "inércia" no sistema. Embora o relatório da ENTSO-E aponte para um aumento de tensão em cascata vindo de Espanha como a causa provável, Paulo Carmona reiterou que o sistema respondeu à altura, sublinhando que a margem de segurança é uma decisão política: "Se quisermos segurança a 100%, isso custa muito dinheiro", concluiu.

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