DGS reconhece dificuldades no fornecimento de vacinas contra a gripe ao setor privado
A Direção-Geral da Saúde (DGS) reconheceu nesta quinta-feira, 17 de setembro, constrangimentos no fornecimento de vacinas contra a gripe destinadas ao mercado privado, salientando que não intervém nesse processo, que decorre entre as farmácias e a indústria farmacêutica.
"A DGS teve conhecimento de constrangimentos no fornecimento de vacinas de dose normal destinadas ao mercado privado, processo que a DGS não coordena e onde não intervém, nem ao nível da aquisição, nem no que se refere à distribuição", adiantou a direção-geral à agência Lusa.
Segundo a DGS, trata-se de uma relação entre os operadores privados e a indústria farmacêutica, que pode variar em função das previsões de procura, da oferta disponibilizada pelos fabricantes e de outros fatores de mercado.
Contactada pela Lusa, a Associação Nacional de Farmácias (ANF) adiantou que a informação preliminar de que dispõe indica que o contingente de vacinas destinado ao mercado privado em Portugal poderá ser inferior ao dos anos anteriores, sem quantificar.
"Esta situação, que afeta vários países europeus, decorre da necessidade de atualização simultânea das três estirpes que integram a composição da vacina contra a gripe para a próxima campanha", avançou a associação.
Para fazer face às dificuldades reportadas pelo setor privado na aquisição de vacinas, a DGS optou por incluir na norma sobre a próxima campanha contra a gripe, que arranca no dia 30 deste mês, a vacinação dos profissionais que prestam diretamente cuidados nos setores social e privado em unidades com internamento, de cirurgia de ambulatório, de obstetrícia e neonatologia e de diálise, assim como estabelecimentos com atendimento permanente.
Salientou que esta alteração permite assegurar a proteção destes profissionais, alegando que isso é "importante para a prestação de cuidados de saúde em segurança", evitando que os constrangimentos de aquisição existentes no setor privado constituam um obstáculo à sua vacinação.
Em relação à campanha de outono e inverno que vai decorrer até 31 de março - que inclui os vários grupos elegíveis para a vacinação gratuita - o Serviço Nacional de Saúde (SNS) adquiriu cerca de 2,3 milhões doses de vacinas contra a gripe de dose normal e outras 369 mil de dose elevada.
Em relação à campanha anterior, este volume representa um aumento de 187 mil vacinas de dose normal e de 12 mil de dose elevada, o que garante "vacinas para a gripe para todos os que se queiram vacinar" nos termos da norma agora publicada, assegurou a DGS.
No âmbito destas aquisições do SNS, um dos lotes do procedimento de aquisição ficou sem proposta, reconheceu ainda a DGS, mas garantiu que essa situação "não teve impacto na estratégia de vacinação" definida para a campanha que arranca no final deste mês.
A Direção-Geral da Saúde, que decidiu na próxima campanha alargar a vacinação a crianças entre os dois e os quatro anos, mantém o objetivo de alcançar uma cobertura vacinal semelhante à registada na campanha anterior.
As dificuldades na aquisição de vacinas para o contingente privado já se verificaram no final de 2025, o que levou mesmo a Associação Nacional de Farmácias a admitir dificuldades na vacinação contra a gripe de pessoas que não integravam os grupos elegíveis.
"Existem constrangimentos na aquisição de vacinas junto dos distribuidores para pessoas que pretendem vacinar-se, mediante receita médica, fora dos grupos com direito à vacinação gratuita", reconheceu a ANF na altura.

