Desastres naturais causaram perdas de 150 mil milhões de euros

Valor é apresentado no relatório anual da Christian Aid, organização não governamental que estuda estes fenómenos e apela aos países para tomarem ações concretas.

Cento e cinquenta mil milhões de euros. Foi este o valor estimado dos custos associados aos dez maiores desastres naturais que aconteceram ao longo do ano de 2021, segundo o relatório publicado anualmente pela organização de cariz social Christian Aid Report.

O valor estimado corresponde a um aumento de 13% em relação aos prejuízos causados pelas catástrofes naturais do ano anterior. Um valor que adquire ainda mais magnitude se tivermos em conta que a maioria dos dados do relatório se centra nos eventos ocorridos em países desenvolvidos, por terem instituições capazes de medir mais eficazmente os prejuízos causados por cada acontecimento.

Aos prejuízos económicos associados, há que somar as 1075 mortes e cerca de 1,5 milhões de deslocados espalhados pelos vários pontos do globo provocados por estes desastres. Apesar de nem todos os eventos estarem relacionados diretamente com as alterações climáticas, os cientistas estão a explorar a relação existente entre estes fenómenos e a ação direta do ser humano.

Uma das responsáveis pela publicação deste estudo, Friederike Otto, professora no Grantham Institute for Climate Change and the Environment do Imperial College London, avisou no início deste ano que todas as ondas de calor registadas estão a tornar-se "mais frequentes e mais intensas" devido às alterações climáticas e, em grande medida, à ação do ser humano.

A mesma linha de pensamento é seguida pelo Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC na sigla inglesa): "A proporção de ciclones tropicais intensos, a velocidade média do pico dos ciclones tropicais e a velocidade do vento no pico dos ciclones tropicais que são mais intensos irão aumentar à escala global com o aumento do aqueci- mento global."

Decorria o mês de agosto deste ano quando o furacão Ida assolou o território do Luisiana, nos Estados Unidos da América. O furacão, para além de todos os prejuízos imateriais causados, revelou-se também o desastre natural economicamente mais gravoso de 2021, com custos estimados a rondar os 65 mil milhões de euros.

Já as cheias de verão que assolaram centro da Europa, sobretudo Bélgica e Alemanha, durante o pasado mês de julho, acarretaram custos de 43 mil milhões de euros. A este valor económico acresce a perda de, pelo menos, 170 vidas.

Contudo, o valor estimado das perdas não corresponde ao valor real que se regista em todo o mundo, isto porque é difícil medir o valor real de prejuízos em alguns países onde as instituições existentes não dispõem de dados suficientes para se proceder a esse levantamento, refere a organização.

Neste sentido, a maior seguradora do mundo, a SwissRe, estimou que os valores de perdas associados a catástrofes e desastres naturais, no ano de 2021, terão ascendido a 230 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 24% em relação ao ano de 2020 e provocou à indústria seguradora o quarto valor mais alto de perdas desde 1970.

Um dos desastres naturais de que não se conseguiu retirar dados suficientes para o relatório da Christian Aid diz respeito às cheias no Sudão do Sul, que provocaram a deslocação de 800 mil pessoas que, sem instituições ou seguradoras que as possam precaver, encontram-se numa situação extremamente delicada.

Kat Krammer, da organização responsável pelo estudo, alerta para este facto: "Obviamente, alguém perder a sua casa, os seus meios de vida e tudo o resto, e não ter os recursos necessários para reconstruir isso é incrivelmente difícil. Ter um seguro, por exemplo, permite algum tipo de mecanismo para a reconstrução da vida perdida."

Num ano em que se realizou a cimeira climática COP 26, o relatório desafia os diplomatas ambientais a tomarem ações concretas, apesar do desentendimento geral dos países presentes na cimeira em relação às perdas financeiras associadas a desastres naturais e catástrofes.

É para isso "necessário que os países tomem medidas concretas para a redução das emissões de carbono para que se minimizem os impactos das alterações climáticas e dos desasteres a elas associados", reforça o relatório.

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