Um "conjunto alargado de constrangimentos na infraestrutura ferroviária da responsabilidade da IP – Infraestruturas de Portugal, que condicionam fortemente o cumprimento dos horários programados e criam dificuldades acrescidas de sobrelotação nos comboios", é uma das explicações apresentadas pela Fertagus para explicar os atrasos na ligação ferroviária entre Setúbal e Lisboa.O serviço ferroviário da empresa que liga as duas margens do rio Tejo tem sido alvo de muitas críticas por parte dos autarcas, nomeadamente, do Seixal e de Almada, e das comissões de utentes que denunciam o não cumprimento de horários e a sobrelotação das carruagens, principalmente nas horas de maior procura, durante a manhã e ao final do dia.Ao DN, em resposta por escrito, a empresa frisa que o desempenho da sua operação está relacionado com o "crescimento acelerado da procura, a ausência de material circulante para reforço da frota e o desempenho e fiabilidade do serviço de outros operadores de transporte da Área Metropolitana de Lisboa (AML)".Sublinha mesmo que "embora o nível de realização dos horários seja extremamente elevado, 99,36% dos comboios foram realizados durante o ano de 2025, tem-se verificado um conjunto alargado de constrangimentos na infraestrutura ferroviária da responsabilidade da IP – Infraestruturas de Portugal, que condicionam fortemente o cumprimento dos horários programados e criam dificuldades acrescidas de sobrelotação nos comboios"..Autarca do Seixal diz que é "desumana" a forma como passageiros viajam na Fertagus.A empresa destaca que em "2025 a Fertagus atingiu o recorde de 31,8 milhões de passageiros transportados", culminando num "crescimento de 5% em 2025 e de cerca de 50% se compararmos com o ano de 2018, impulsionado pela introdução do tarifário Navegante em 2019 e pelo aumento da população residente na Margem Sul, procura esta, muito concentrada nos períodos de ponta da manhã e da tarde".E assegura: "Apesar de em alguns horários poderem verificar-se dificuldades no transporte, existe sempre, 10 minutos antes ou depois, capacidade de transporte disponível."Um ano para ter duas novas carruagensUma das questões apresentadas pelos críticos do serviço da empresa passa pela falta de comboios. Uma situação a que a concessionária explica não conseguir dar resposta no imediato.."A Fertagus opera diariamente com 17 das suas 18 unidades quádruplas elétricas, não dispondo de material circulante adicional para reforço da oferta. Esta situação tem sido comunicada ao Estado Concedente desde 2023. A empresa já apresentou soluções para o reforço de oferta, nas quais se encontra a trabalhar, aguardando a necessária revisão do enquadramento contratual por parte Estado Português", adianta..Acrescentando já estarem a decorrer "trabalhos de adaptação técnica de duas carruagens adquiridas à Renfe, no âmbito de um projeto para a introdução de uma quinta carruagem nas atuais composições, um processo complexo que poderá demorar cerca de um ano e meio até à entrada em operação, devido ao tempo necessário para a adaptação das carruagens e a sua homologação pelas entidades competentes".O DN enviou perguntas à Infraestruturas de Portugal não tendo recebido resposta.