CT da Lusa acusa funcionário do gabinete de Leitão Amaro de "comportamentos insultuosos e intimidatórios"

CT da Lusa acusa funcionário do gabinete de Leitão Amaro de "comportamentos insultuosos e intimidatórios"

Comissão de Trabalhadores diz que esse comportamento contrastou com a reunião formal com o ministro, que "decorreu de forma cordata apesar das divergências de pontos de vista".
Publicado a
Atualizado a

A Comissão de Trabalhadores (CT) da Lusa diz que vários dos seus elementos foram alvo "de comportamentos insultuosos e intimidatórios" por parte de um funcionário do Gabinete do Ministro da Presidência do Conselho de Ministros, António Leitão Amaro, na passada quarta-feira, 29 de abril.

"Na sequência do sucedido, a CT enviou uma exposição ao chefe de Gabinete do Ministério da Presidência condenando veementemente o comportamento totalmente desadequado do membro do Gabinete, imediatamente após a reunião que decorreu no Ministério, ao final da tarde da passada quarta-feira", indica um comunicado enviado esta segunda-feira às redações.

A Comissão de Trabalhadores diz que esse comportamento contrastou com a reunião formal com o ministro, que "decorreu de forma cordata apesar das divergências de pontos de vista", acusando o "alto funcionário" de ter interpelado "a CT em tom insultuoso e intimidatório pondo em causa a idoneidade dos representantes dos trabalhadores".

"Num tom visivelmente alterado e perante dirigentes sindicais e de outros dois membros do gabinete, acusou deliberadamente e de forma agressiva os jornalistas acerca das notícias que têm sido publicadas recentemente sobre as questões que envolvem a agência Lusa desde o final do ano passado, sem especificar", pode ler-se.

"O funcionário em causa, sempre no mesmo tom, teceu comentários provocatórios contra os órgãos que representam os trabalhadores da Lusa demonstrando total desconhecimento sobre as funções das comissões de trabalhadores, dos sindicatos e até mesmo das direções jornalísticas. Em concreto, o mesmo funcionário referiu-se – sempre com uma postura despropositada e agressiva – ao conteúdo das reuniões ocorridas no passado dia 26 de novembro no mesmo ministério e que envolveram a Direção de Informação da Lusa, a CT e a delegação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC)", prossegue a Comissão de Trabalhadores, que especifica que esse "tom desadequado" "prolongou-se durante mais de dez minutos".

"No momento, os elementos da CT evitaram a discussão, mas foram obrigados a afirmar que se sentiram insultados e infantilizados e que os modos utilizados eram impróprios de um funcionário com responsabilidades públicas. A CT da Lusa considerou muito grave o incidente que teve como único protagonista o funcionário do Gabinete do ministro que tem a tutela da Lusa", acrescenta a nota.

A CT sublinhou perante o "Gabinete que - além de insultar elementos de um órgão com constituição jurídica própria e com mandato institucional – o funcionário tentou intimidar e coagir os representantes dos trabalhadores da Lusa", tendo transmitido "que os representantes dos trabalhadores não se deixam coagir nem intimidar pela prepotência de funcionários do Ministério, exigindo regras mínimas de boa educação".

A Comissão de Trabalhadores dá conta de que, no dia seguinte, quinta-feira, "o chefe de Gabinete respondeu por escrito à CT, reconhecendo que o comportamento do funcionário foi inadequado e que o mesmo já tinha sido admitido pelo próprio, que se penalizou pelo sucedido", referindo "ainda que tais interações não correspondem à postura e orientação do Gabinete do ministro António Leitão Amaro".

"O funcionário do Gabinete do ministro da Presidência tentou contactar através de telefone os membros da Comissão de Trabalhadores, mas a CT declinou e insistiu no esclarecimento formal por parte do Ministério", revelou a CT, que adiantou que o "Gabinete do ministro da Presidência transmitiu que quer manter o 'contacto regular, respeitoso e construtivo' com os trabalhadores afirmando que 'jamais seria admissível qualquer tentativa ou forma de condicionamento da liberdade e independência dos jornalistas e dos órgãos de comunicação social'".

A exposição da situação e pedido de esclarecimento foram subscritos pelos sindicatos presentes na Lusa: Sindicato dos Jornalistas (SJ), Sindicato dos Trabalhadores do Setor dos Serviços (SITESE) e Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente (SITE).

Diário de Notícias
www.dn.pt