Crianças vítimas de violência doméstica em casas abrigo já são mais do que mulheres

Crianças vítimas de violência doméstica em casas abrigo já são mais do que mulheres

Nos primeiros três meses do ano, morreram oito pessoas vítimas de violência doméstica: seis mulheres e duas crianças.
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O número de crianças vítimas de violência doméstica em casas abrigo e outros espaços de acolhimento de emergência foi, no primeiro trimestre do ano, pela primeira vez, mais elevado do que o número de mulheres.

Segundo os dados divulgados esta quarta-feira, 27 de maio, no Portal de Violência Doméstica pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), nos primeiros três meses deste ano, estavam na Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica 1.383 pessoas - 678 mulheres, 684 crianças e 21 homens.

Comparando com o trimestre anterior, as casas de abrigo e outros espaços de acolhimento de emergência acolheram mais 61 crianças nos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano e menos 27 mulheres.

Nos primeiros três meses do ano, morreram oito pessoas vítimas de violência doméstica - seis mulheres e duas crianças -, segundo os dados divulgados no Portal da Violência Doméstica e que, neste caso, têm como base informações da Polícia Judiciária.

O número de ocorrências participadas à PSP e à GNR também aumentou em relação ao último trimestre, com 6.949 participações por violência doméstica no primeiro trimestre de 2026 - mais 276 ocorrências.

Os dados mostram ainda que 6.389 pessoas estavam abrangidas pela teleassistência no primeiro trimestre, um número também recorde e com mais 289 pessoas abrangidas do que no trimestre anterior.

Em contexto prisional, o número de presos por violência doméstica atingiu um recorde nos primeiros três meses do ano, com 1607 reclusos - 398 em preventiva e 1209 a cumprir pena.

De acordo com os dados reunidos pela CIG e que têm como base os números da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), no primeiro trimestre deste ano, estavam mais 25 pessoas a cumprir pena de prisão e mais 22 em preventiva do que nos três meses anteriores - outubro, novembro e dezembro do ano passado.

Os indicadores publicados esta quarta-feira mostram ainda que, nos primeiros três meses do ano, foi aplicada a medida de coação de pulseira eletrónica a 959 pessoas e 3.168 pessoas estavam a frequentar programas para agressores, sendo o número de presos nestes programas muito inferior ao número de pessoas que frequentam estes programas na comunidade - 211 e 2.957 respetivamente.

Ainda em relação aos programas para agressores, o número de agressores tem sido sempre acima dos 2.500 participantes desde 2021.

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