Doentes que tiveram infeções exuberantes no início da pandemia podem manter sintomas de Covid Longo.
Doentes que tiveram infeções exuberantes no início da pandemia podem manter sintomas de Covid Longo.Artur Machado

Covid longa custará às economias da OCDE até 115 mil milhões de euros anuais na próxima década

A covid longa é uma síndrome de infeção pós-aguda caracterizada pela persistência de sintomas após uma infeção por covid-19.
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A covid longa pode custar às economias da OCDE até um total de 135 mil milhões de dólares (cerca de 115 mil milhões de euros) por ano durante a próxima década.

Num relatório publicado esta quarta-feira, 8 de abril, sobre o impacto sanitário e económico da covid longa para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a organização precisa que a doença obriga as vítimas a abandonar o trabalho ou a multiplicar as ausências laborais, resultando em menor produtividade devido aos problemas de saúde, cinco anos depois do início da pandemia.

O relatório "Abordar os custos e a atenção da covid longa: A longa sombra da pandemia" indica que as perdas projetadas entre 0,1% e 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB, que representam uma transmissão residual baixa ou moderada do vírus que resulta em novos casos, poderiam gerar um fardo significativo para a economia "equivalente a 135.000 milhões de dólares anuais durante a próxima década, comparável ao orçamento anual total de saúde dos Países Baixos ou de Espanha".

A covid longa afetou cerca de 75 milhões de pessoas, mais de 5% da população da OCDE em média, no auge da pandemia em 2021, com custos de saúde que alcançaram 53.000 milhões de dólares.

A prevalência da covid longa e os custos sanitários associados diminuíram desde o pico da pandemia, mas continuam a ser significativos, segundo o relatório.

Prevê-se que os custos económicos da covid longa superem em muito os custos sanitários associados entre 2025 e 2035.

Embora se preveja que a prevalência da covid longa se mantenha abaixo de 1% entre 2025 e 2035 (afetando entre 0,6% e 1,0% da população da OCDE e da UE), apenas os custos sanitários diretos para abordar essa patologia, mesmo sob suposições conservadoras, continuarão elevados: cerca de 11.000 milhões de dólares por ano, calculou a organização com sede em Paris.

Este panorama é especialmente preocupante para a OCDE num contexto de lento crescimento e baixa produtividade em muitos países com uma força de trabalho envelhecida.

Os estudos sugerem que a covid longa provoca a interrupção do emprego em aproximadamente um em cada cinco trabalhadores afetados, que equivale a uma perda de entre 5% e 10% da produtividade laboral por pessoa afetada durante o primeiro ano de infeção.

O impacto económico da covid longa é considerável e decorre principalmente dos custos indiretos resultantes da redução da produtividade e da participação no mercado de trabalho, destacou o relatório.

Os autores do estudo recomendam fortalecer o diagnóstico, o tratamento e o atendimento sanitário para os pacientes, bem como o apoio social para melhorar a sua saúde, facilitar a sua reinserção no mercado de trabalho e reduzir as perdas económicas.

Uma abordagem coordenada e coerente para lidar com a covid longa também ajudaria os países a prepararem-se para futuras pandemias, segundo o relatório.

A covid longa é uma síndrome de infeção pós-aguda caracterizada pela persistência de sintomas após uma infeção por covid-19.

Esta condição, nova e complexa, tem um impacto debilitante e, muitas vezes, incapacitante nos pacientes, e continua a representar um desafio para os profissionais e sistemas de saúde, segundo a OCDE. 

Doentes que tiveram infeções exuberantes no início da pandemia podem manter sintomas de Covid Longo.
Tratou doentes com covid e teve de deixar de trabalhar por causa do covid longo

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