Vacinação em crianças deverá começar pelos 11 anos, diz Costa que afasta novas restrições

Na véspera de uma nova reunião do Conselho de Ministros, o primeiro-ministro António Costa afasta a possibilidade de novas restrições. "Todos temos de ter como objetivo não ter um janeiro de 2022 igual ao terrível janeiro de 2021", disse.

O primeiro-ministro António Costa rejeitou esta quarta-feira, em declarações à SIC Notícias, a possibilidade de o Governo aprovar novas restrições. Na véspera de mais uma reunião do Conselho de Ministros, marcada para esta quinta-feira, António Costa disse que é preciso ter, no entanto, "cuidados especiais" no Natal.

"As medidas que adotamos entraram em vigor no dia 1 dezembro, portanto, ainda é recente. Está previsto que nas próximas semanas vamos ter um aumento da taxa de incidência. As medidas foram adotadas, sobretudo, para poder controlar esse crescimento", referiu.

Reforçou a necessidade o uso de máscaras, a importância da vacinação e da testagem. "Vamos ter inevitavelmente mais frio, mais infeções respiratórias e isso não contribuirá para que haja uma diminuição da incidência. Temos de manter a situação sob controlo e é isso que estamos a fazer. É um esforço grande que todos estamos a fazer", disse, referindo que o aumento da testagem tem sido muito importante. "Conforme vamos testando, vamos encontrando pessoas".

O primeiro-ministro voltou a defender que se faça testes antes do Natal e pede "cuidados especiais". "Pelo menos o auto teste acho que é muito recomendável", afirmou.

Destacou também a importância de as pessoas mais idosas estarem vacinadas com a dose de reforço da vacina contra a covid-19 até ao Natal, referindo que o regime de "casa aberta" já funciona até aos 75 anos, sendo alargada, ainda esta semana, para as pessoas com 70 anos.

"Todos temos de ter como objetivo não ter um janeiro de 2022 igual ao terrível janeiro de 2021", sublinhou.

Ainda sobre a vacinação contra a covid-19 de crianças entre os 5 e os 11 anos, já recomendada pela Direção-Geral da Saúde (DGS), disse que vai ajudar a regularizar as escolas, a travar perturbações no normal funcionamento dos estabelecimentos de ensino durante o ano letivo. Indicou ainda que o parecer da DGS é "muito claro sobre benefícios e seguranças" da ​​​​​​inoculação nesta faixa etária.

Vacinação em crianças deverá começar pelos 11 anos

O primeiro-ministro disse ainda que a vacinação das crianças deverá "provavelmente" começar pelas que têm 11 anos e, progressivamente, avançar até às de cinco anos, um calendário que será apresentado no final da semana.

"No final desta semana haverá a apresentação do programa e calendário de vacinação [das crianças], provavelmente vamos começar pelas de 11 anos e, depois, vamos descendo até às de cinco anos", afirmou em entrevista ao programa Casa Feliz, da SIC.

Na terça-feira, a Direção-Geral da Saúde (DGS) recomendou a vacinação das crianças entre os cinco e os 11 anos, com prioridade para as que têm doenças consideradas de risco para covid-19 grave.

Em comunicado, a DGS disse que esta recomendação surge na sequência da posição da Comissão Técnica de Vacinação contra a covid-19 (CTVC), que considerou, com base nos dados disponíveis, que a avaliação risco-benefício, numa perspetiva individual e de saúde pública, é favorável à vacinação das crianças desta faixa etária.

António Costa sublinhou que as crianças sofrem menos com a doença, mas são "altamente transmissoras" da mesma, seja por se movimentarem muito, seja por exteriorizarem muito os afetos.

"Como se diz a uma criança que não se pega ao colo ou não se dá um abraço, não se diz", vincou.

Além disso, o chefe do Governo salientou que uma criança infetada tem um "efeito muito nocivo" para si, para a sua família e escola porque, desde logo, interrompe o seu processo de aprendizagem, o que é mau para o seu desenvolvimento.

E, muitas vezes, recordou, uma criança infetada leva ao isolamento de uma turma e encerramento de uma escola e afeta a organização das famílias.

"Pessoalmente, se tivesse filhos pequenos, não tinha dúvidas de que os vacinaria, mas cada pai é que tem de tomar a decisão"

Costa recomendou aos pais ouvirem os pediatras e médicos de família para ficarem "mais confortáveis" na hora de tomar a decisão de vacinar ou não a criança.

"Pessoalmente, se tivesse filhos pequenos, não tinha dúvidas de que os vacinaria, mas cada pai é que tem de tomar a decisão", comentou.

O chefe do Governo ressalvou que a vacina para as crianças já está muito testada, estando já a ser administrada em vários países.

Existem 600 mil crianças para serem vacinadas entre os cinco e 11 anos, revelou, dizendo que o Governo tem já 700 mil vacinas encomendadas e que chegarão até final de janeiro.

O primeiro-ministro apelou às famílias para realizarem autotestes à covid-19 antes dos convívios de Natal para evitar um "janeiro horrível" como aquele que foi o de 2021.

"Antes de se juntarem [no Natal] façam autotestes, cada vez há mais pessoas que estão infetadas e não têm qualquer sintoma e, portanto, fazendo um autoteste estão mais à vontade", afirmou.

A realização destes testes são fundamentais para que o Natal seja passado em segurança e se evitar um "janeiro terrível", sustentou.

"Não podemos voltar a ter um janeiro de 2022 igual a um janeiro de 2021 que foi absolutamente horrível para milhares de pessoas e temos de evitar isso, o país não pode voltar a parar", reforçou.

E foi por esse motivo que o Governo decidiu criar a semana de contenção de 2 a 9 de janeiro para, após um forte período de convívio familiar, se evitar o cruzamento de pessoas, explicou.

Notícia atualizada às 15:15

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