Corrida à Black Friday não foi louca porque nem tudo compensa comprar

As lojas estiveram ontem mais cheias, mas sem a loucura da tradição da "sexta-feira negra" nos Estados Unidos

Sem a loucura que mostram as imagens do comércio americano, muitos portugueses aproveitaram a Black Friday para fazer as compras, de Natal ou dos eletrodomésticos que precisam há meses. Um ou outro consumidor foi apanhado desprevenido com estas promoções, mas a maioria quis aproveitar os descontos. E, mesmo em artigos que não indicam o valor da poupança, os clientes acreditam que se fazem boas compras nestes dias. Mas os mais atentos descobrem que muitos preços não baixaram.

É o caso de Joana Morais, 28 anos, consultora. Precisa de um frigorífico combinado para o qual tem um orçamento entre 300 e 400 euros. Fez o que a associação de consumidores DECO aconselha e procurou o modelo que lhe interessava há uma semana. Ontem, "sexta-feira negra" foi ao Media Markt de Benfica e reparou que estava a ser vendido pelo mesmo valor: 379 euros. "O funcionário explicaram que fizeram uma mega promoção há duas semanas, daí que se mantenham alguns preços. Agora vou à Worten [do outro lado da 2.ª Circular], que tem 20 % de desconto para ver se o mesmo modelo está mais barato". Se não estiver, pelo menos não irá comprar o artigo a correr. "Assim, tenho mais tempo e disseram que têm em stock, portanto não há problema." É que o desconto da Worten é feito em talão, o que significa que a poupança não é imediata.

Em frente à Media Markt uma pequena fila esperava a abertura, às 10:00, resultando numa azáfama pouco habitual para uma sexta-feira de manhã. Os descontos começaram na quinta-feira e terminam segunda, com uma garantia: todos os artigos podem ser devolvidos até ao 15 de janeiro. A mensagem publicitária da cadeia é "poupa já nas tuas compras de Natal!"

O casal Marques, José, 60 anos, fotógrafo, e Cristina, 50, maquilhadora, aproveitaram o dia para compra um televisor para o estúdio de fotografia, um suporte, e um "cafezinho". Um LED de 32 polegadas custou 239 euros. "Nem sempre aproveitamos estes saldos, mas hoje calhou. Precisávamos de comprar um televisor para o estúdio e sempre é melhor com desconto", justifica José. Pensa ter poupado 100 euros neste dia.

Sandra Silva, 44 anos, socióloga, leva uma playstation, a pedido de uma amiga, e, para ela, comprou um forno (219 euros) e um exaustor (66 euros). "A maior parte das coisas não estão assim tão baratas e as que baixaram não foram para valores exagerados. As coisas que comprei pareceram-me um bom preço, mas não sei, não andei a comparar com os dias anteriores. Mas eram mais baratas do que na Rádio Popular", explica. O maior desconto que encontrou foi na consola, 256 euros com um jogo incluído. "Telefonei para a minha amiga e ela, que tinha andado a ver, pediu-me para comprar. Não é por ser Black Friday que tem este valor, é uma promoção deles".

Os funcionários não têm mãos a medir, sobretudo quem está à caixa, todos vestidos com uma t-shirt preta e "sexta-feira negra" escrita em inglês. A responsável de loja confirma o maior número de vendas, mas que o balanço só poderá ser feito no final da campanha, segunda-feira.

A afluência aumenta no período da hora de almoço, o que também acontece no Centro Comercial Colombo, em frente ao Media Markt. Esta catedral do consumo tem, agora, mais clientes do que ao início do dia, quando nada fazia notar ser Black Friday a não ser os cartazes publicitários.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica está a realizar ações de fiscalização nestes dias, "como regularmente", sublinhou a assessoria de imprensa. Isto para detetar casos de publicidade enganosa, como aconteceu o ano passado e que levou à instauração de processos. Segundo a SIBS, o Black Friday movimentou 700 milhões de euros o ano passado.

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