Convenção da Saúde pede à Direção Executiva que garanta meios financeiros para unidades manterem cuidados
“Cortar consultas, cirurgias ou outros cuidados de saúde num contexto de crescente procura não é uma opção neutra: é uma decisão com consequências humanas diretas. Esses cortes já estão a acontecer em todo o país, traduzindo-se em atrasos no diagnóstico, tratamentos adiados e doentes sem resposta atempada, o que agrava a ansiedade e a insegurança de milhares de pessoas”. Quem o diz é a Convenção Nacional da Saúde que reúne 150 instituições, mais de 60 associações de doentes, associações de setores, como farmácias, indústria farmacêutica e outros, num comunicado enviado às redações esta tarde de quinta-feira, dia 12.
Este comunicado surge após uma reunião com carácter de urgência para debater e tomar posição sobre o que a CNS identifica como uma “situação com gravidade” no Serviço Nacional de Saúde (SNS) - recorde-se que nos últimos tempos tem sido noticiado por vários órgãos de comunicação social haver unidades locais de saúde que já não têm dotação orçamental para a compra de medicamentos para doenças crónicas e para outras despesas.
De acordo com a CNS, “os números não deixam dúvidas: as listas de espera do Serviço Nacional de Saúde cresceram em 2025” - citando os dados provisórios divulgados em fevereiro pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS).
“No final do ano, havia 1.088.656 utentes a aguardar consulta de especialidade e 264.615 em lista de espera para cirurgia. São mais de um milhão e trezentos mil portugueses a esperar”, considerando que “para muitos, cada atraso significa mais sofrimento, maior incerteza e, em alguns casos, risco real de agravamento da sua situação clínica. O acesso tardio aos cuidados de saúde não é apenas um problema administrativo. É um problema que afeta diretamente a vida e o bem-estar das pessoas”.
Por isso mesmo, pede “à Direção Executiva que garanta, de forma clara e imediata, que estão assegurados os meios administrativos e financeiros necessários para manter a resposta assistencial e proteger o acesso atempado dos utentes aos cuidados de saúde”.
Para a CNS, a agravar este cenário há um outro, o de “novos cortes”, que “terá consequências previsíveis: mais atrasos no diagnóstico e tratamento, maior desgaste dos profissionais de saúde e mais fragilidade na sustentabilidade do SNS", sustentando que "doentes que não recebem cuidados a tempo, pagam o preço mais alto - com a sua saúde e, por vezes, com a sua vida”.
Neste comunicado, a convenção defende ser “preciso proteger quem depende do SNS”, “melhorando a gestão sem colocar em causa a missão dos profissionais de saúde e o acesso aos cuidados de que os portugueses precisam”.

