"Como em tudo com adolescentes: as regras devem ser negociadas à partida"

Psicóloga Catarina Mexia aconselha os pais a explicar as regras e exigir que sejam cumpridas

Com que idade é normal os jovens pedirem aos pais para passar a passagem de ano só com os amigos?

Hoje em dia a partir dos 14, 15 anos é normal os adolescentes começarem a pedir aos pais. Os jovens desejam hoje uma autonomia que não havia há dez anos.

E os pais podem dizer que não?

É difícil dizer que não, porque isso significa proibir e eles acabam sempre por contornar a questão. É como as festas de aniversário ou outras saídas que eles fazem durante o ano em que depois também acabam por sair até tarde e acabam por ter essa liberdade, retirando aos pais a margem para recusar.

Mas há situações em que podem dizer que não?

Há uma série de situações em que isso faz todo o sentido. Por exemplo, acabámos agora um semestre e se falharam os compromissos das notas, há que fazer sentir as consequências dessa situação. Também se estiverem em causa questões de segurança ou de maturidade do jovem, os pais podem sempre dizer que não. Mas atenção: é preciso explicar sempre os motivos. Não é educativo dizer não porque não.

Dizer sim, não significa abdicar de regras. Certo?

Como em tudo com adolescentes: as regras devem ser negociadas à partida. Até pode haver uma baixa expectativa de que sejam cumpridas, mas os pais têm que negociar as regras, não podem ser impostas, senão é um braço de ferro e é importante que cada uma das partes perceba a outra. É uma negociação entre a preocupação dos pais e as necessidades dos adolescente. É preciso negociar a hora de chegada, saber com quem vão e onde vão estar. Também é importante explicar que se não estiverem onde era suposto ou se não chegam à hora combinada devem mandar mensagem a avisar. O pai quer que o filho avise se vai chegar a horas e o filho tem medo de ser visto como o menino da mamã, mas vai ter que avisar. Até pode achar que os pais estão só a querer controlar, mas se for bem explicado alguma sementinha há de ficar lá na cabeça deles.

É importante conhecer os outros pais?

Se possível, o ideal seria que os pais falassem com outro pai para haver uma rede de apoio. Assim, se acontecer alguma coisa sabemos com quem contar. É positivo que os jovens percebam isso.

Dar informações ao longo da noite é positivo?

Se houver alterações de planos, sim. Antigamente quando não havia telemóveis não havia essa necessidade, mas hoje as pessoas habituaram-se e é importante manterem-se contactáveis durante a noite. Os pais devem ter contactos alternativos dos amigos dos filhos para os casos de necessidade.

Há conselhos especiais para esta noite?

Não. O habitual que não haja consumo de substâncias ilícitas, nem consumos excessivos de álcool, situações que alteram o nosso estado de consciência. Não serem conduzidas por quem não está em condições e se virem alguém que não está bem e não houver um adulto por perto, que chamem o 112, seriam assim as regras mais básicas.

Muitos jovens já saem à noite habitualmente, mas a passagem de ano ainda é um marco especial?

A passagem de ano ainda é muito uma festa que permite esse ritual de passagem por assim dizer. Porque é comum ainda em muitas famílias fazer o jantar em casa e depois sair logo a seguir ou depois da meia noite para estar com os amigos. O facto de ser uma festa em que mesmo os adultos aproveitam para estar com os amigos faz com que os adolescentes também a vejam dessa forma.

E qual é a hora limite para chegarem a casa?

Isso depende do adolescente. Se nas outras saídas fica até às 03.00, não vai voltar mais cedo na passagem de ano. Mas se estamos a falar de jovens de 15, 16 anos não convém passar muito dessa hora. Até porque no dia seguinte ainda há o ritual do almoço e convém que eles estejam com a cabeça no lugar.

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