Comemorar 30 anos de ciência a pensar no futuro

Conferência assinala amanhã no Forum Picoas as jornadas científicas pioneiras promovidas por Mariano Gago em 1987

Portugal tinha acabado de aderir à Comunidade Económica Europeia (CEE), e a JNICT, a Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, liderada pelo físico Mariano Gago (mais tarde ministro da Ciência), decidiu organizar as Jornadas Nacionais de Investigação Científica e Tecnológica, para debater o futuro da ciência. Foi há 30 anos - cumprem-se amanhã - e, depois disso, nada ficou como antes neste setor, em Portugal.

Assinalar essa primeira grande reunião da comunidade científica - uma ideia inédita à época - e ao mesmo tempo debater o que vai seguir-se (tal como há três décadas) é o propósito da conferência "Futuro da Ciência em Portugal, 30 anos após as Jornadas de Maio de 1987", que amanhã se realiza, às 14.00, no Forum Picoas, o mesmo local onde decorreram as jornadas pioneiras.

"Estava nessa altura a chegar a Portugal a nova geração que se tinha doutorado no estrangeiro, depois do 25 de Abril, e os investigadores, entre os quais Mariano Gago, traziam consigo uma nova energia, o conhecimento sobre as grandes mudanças tecnológicas em curso, e ideias de como as coisas se podiam fazer nesta área", lembra Lino Fernandes, que estava no recém-criado Serviço de Estudos e Planeamento da JNICT, e um dos organizadores das jornadas.

Sobre esses quatro dias de trabalho, que reuniram cerca de mil cientistas, como noticiou o DN na altura, Lino Fernandes não tem dúvidas. "Foram um sinal claro de que as coisas iam mudar e foram decisivos para o impulso político que a seguir foi dado ao setor científico, com a primeira grande aposta de financiamento, através do Programa Mobilizador de Ciência e Tecnologia", conta.

Luís Magalhães, responsável pela organização da sessão sobre matemática concorda. "As jornadas tiveram uma importância fundamental para o se seguiu, porque mobilizaram o debate sobre as agendas da investigação científica", diz. Depois disso, sublinha, "lançou-se o primeiro concurso para financiamento de projetos em todas as áreas científicas, e áreas como a matemática e as ciências sociais e humanas tiveram pela primeira vez acesso a financiamento".

Passaram 30 anos. Formaram-se novas gerações, foram criados centros de investigação que competem internacionalmente o financiamento, apesar de não estar ainda a par da média europeia, aumentou muito e a ciência e a tecnologia entraram no vocabulário do dia-a-dia. A conferência de hoje, promovida pelo ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, será também um debate sobre o futuro e as linhas traçadas pelo governo para o setor, entre outras, com o reforço de instituições e do emprego científico.

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