A Câmara de Lisboa vai alargar passeios e impor maiores restrições ao estacionamento na zona histórica do Chiado, no âmbito do programa Viva a Rua, com que o executivo de Carlos Moedas pretende aumentar os espaços pedonais na capital. Ao que o DN apurou junto da autarquia lisboeta, a intervenção vai arrancar no mês de agosto, tendo a Rua Garrett como o seu eixo central. Para essa artéria está previsto o alargamento do passeio em cerca de 40%, sobretudo do lado que tem maior cobertura de sombra (à esquerda de quem sobe para o Largo do Chiado), sendo colocadas floreiras amovíveis nos espaços que se encontram atualmente destinados a lugares de estacionamento e a viaturas de animação turística.Na primeira fase da implementação no programa Viva a Rua no Chiado, a parte das ruas que se torna zona pedonal será pintada num padrão semelhante ao da calçada portuguesa existente nos passeios contíguos, com o mobiliário urbano a indicar a separação entre faixa pedonal e rodoviária. Outras artérias dessa zona histórica abrangidas são a Rua Nova do Almada, onde os passeios serão aumentados em 27%, a Rua Ivens, com a área pedonal acrescentada em 32%, ou a Rua Serpa Pinto, que terá mais 27% de espaço para peões, melhorando a ligação da Rua Garrett ao Teatro Nacional de São Carlos, instalando-se bancos e floreiras amovíveis. E serão ainda alargados os passeios na Calçada do Sacramento, sobretudo frente à Igreja do Santíssimo Sacramento.. Para a Rua Anchieta está prevista a pedonalização integral, também com bancos e floreiras amovíveis, que serão igualmente instalados na Rua do Carmo. Mas a sua colocação está pensada, ao que o DN apurou, de forma a que se mantenha desimpedido um canal livre de três metros e meio para a circulação de veículos de emergência. Tal princípio orientador, e o facto de os bancos e floreiras não terem fixação permanente ao pavimento visa impedir que se tornem um obstáculo em caso de intervenção de socorro, ao contrário do que aconteceu com os canteiros de betão que existiam nessa artéria aquando do incêndio de 1988, no qual foram destruídos, entre outros edifícios, os Grandes Armazéns do Chiado e os Armazéns do Grandella, causando duas mortes.Considerando que a zona do Chiado “é um dos espaços mais emblemáticos da nossa cidade e um cartão de visitas”, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, defende que a intervenção cria melhores condições para os milhares que circulam diariamente nas ruas abrangidas, conciliando-o com “uma circulação rodoviária mais eficiente”. Ideia reforçada pelo vice-presidente da autarquia, Gonçalo Reis, que detém o pelouro da mobilidade, realçando ser “fundamental assegurar a boa fruição do espaço público, equilibrando as condições para andar a pé com o ordenamento do tráfego rodoviário e com a organização eficiente do estacionamento”.Nesse sentido, e como o alargamento das zonas pedonais reduz as possibilidades de estacionamento, a Câmara de Lisboa está a fazer contactos com os operadores dos parques subterrâneos da zona, que dispõem de um total de 1200 lugares, para criar uma solução destinada aos residentes. Para uma fase seguinte ficará a colocação de calçada portuguesa nas zonas que deixam de ter estacionamento e circulação automóvel e o alargamento da iniciativa a outras artérias. A Rua da Escola Politécnica e a Rua de Belém são hipóteses em estudo. .Ruas da Galeria de Paris e Cândido dos Reis na baixa do Porto vão ser pedonais.Especialistas defendem que se deve "pôr a prioridade, não só no centro, mas em todo o Porto, ao peão"