O Centro de Responsabilidade Integrado de Traumatologia Ortopédica (CRITO) da Unidade Local de Saúde (ULS) de São José comemorou esta segunda-feira o seu quinto aniversário. O CRITO é uma estrutura clínica especializada que trata doentes vítimas de trauma ortopédico e funciona com uma equipa médica multidisciplinar, com o internamento, o bloco operatório e as consultas externas integradas num único modelo organizativo.O aniversário do centro foi assinalado esta segunda-feira, num evento que contou com as participações de personalidades como Maria de Belém Roseira, antiga ministra da Saúde, Miguel Paiva (presidente do Conselho de Administração do ULS São José) e os médicos João Varandas Fernandes (fundador e primeiro diretor do CRITO), António Camacho (atual diretor deste organismo) e Luís Campos Pinheiro (diretor clínico para os cuidados hospitalares do ULS São José). Nas diferentes intervenções que tiveram lugar, abordou-se o papel que os centros de responsabilidade integrada poderão desempenhar no desenvolvimento do SNS e o contributo do CRITO no campo da traumatologia ortopédica.Numa breve conversa com o DN, após o evento, o médico João Varandas Fernandes defendeu que os centros de responsabilidade integrada deveriam existir em mais especialidades médicas, porque permitem melhorar a eficiência e rapidez no tratamento, garantir a continuidade dos cuidados médicos e reduzir os tempos de espera, num contexto de autonomia das equipas. O CRITO foi um dos primeiros centros de responsabilidade integrada na área da traumatologia, no SNS. Atualmente existem cerca de 40 centros de responsabilidade integrada em áreas como ortopedia, oncologia, saúde mental, pediatria e muitas outras. O objetivo do Governo é chegar aos 100 centros até 2026. Qual a importância deste centro para a Saúde em Portugal, nomeadamente na área da traumatologia ortopédica?O CRITO permite uma resposta rápida, reduzir os tempos de espera e antecipar o tratamento cirúrgico. Exige uma coordenação de áreas multidisciplinares, sendo um trabalho conjunto.Melhora a segurança e a qualidade do tratamento, tendo como resultado uma maior eficiência do Serviço Nacional de Saúde.O que podemos esperar nesta área, a nível de tendências, no futuro?Uma prática de gestão hospitalar sustentável, com melhorias da eficiência na qualidade e na formação..A traumatologia ortopédica está associada a lesões causadas por acidentes e outros ferimentos. Estamos numa sociedade cada vez mais envelhecida. O envelhecimento da população vai obrigar a uma resposta cada vez mais eficaz nesta área?Claramente que o envelhecimento é uma preocupação. É determinante existir este modelo de gestão, autonomia, responsabilidade e incentivos, atribuídos pelo mérito, para uma resposta a tempo e horas. Na área da traumatologia do colo de fémur, tem-se registado diminuição muito significativa dos tempos de espera para intervenção cirúrgica, com grande diminuição da morbilidade e da mortalidade.Portugal tem condições para ser uma referência nesta área, a nível europeu?Portugal tem centros de excelência em várias áreas médico-cirúrgicas e nesta área é igualmente reconhecida e certificada .Há lições a retirar?Este modelo de gestão dos Centros de Responsabilidade Integrados deve evoluir para ser aplicado também, em áreas das especialidades médicas.Nas áreas cirúrgicas é necessário aperfeiçoar as normas vigentes, face à análise dos resultados.