O ex-ministro Manuel Pinho e o antigo presidente do BES Ricardo Salgado vão a julgamento no Caso EDP, anunciou esta sexta-feira a juíza Gabriela Assunção na decisão instrutória do processo.."Decide-se pronunciar os arguidos nos exatos termos da acusação", afirmou a juíza Gabriela Assunção na leitura da decisão, realizada no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, em que pronunciou também para julgamento a mulher do ex-governante, Alexandra Pinho..O antigo ministro da Economia (entre 2005 e 2009) Manuel Pinho foi acusado no Caso EDP de um crime de corrupção passiva para ato ilícito, outro de corrupção passiva, um crime de branqueamento de capitais e um crime de fraude fiscal..Foram ainda acusados neste processo a mulher do ex-ministro, Alexandra Pinho, em concurso efetivo e coautoria material com o marido de um crime de branqueamento de capitais e outro de fraude fiscal, e o antigo presidente do BES Ricardo Salgado, por um crime de corrupção ativa para ato ilícito, um crime de corrupção ativa e outro de branqueamento de capitais..Os advogados do ex-ministro Manuel Pinho e do antigo presidente do BES Ricardo Salgado criticaram a decisão instrutória do Caso EDP..Em declarações à saída do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), o mandatário do ex-banqueiro, Francisco Proença de Carvalho, assumiu que já esperava esta decisão da juíza Gabriela Assunção, ao salientar que "não houve instrução" e que esta fase consistiu numa "tentativa de revogar uma lei que ainda está em vigor e que diz que os arguidos têm direito a requerer a abertura de instrução e a ter uma instrução efetiva".."No primeiro momento em que os arguidos têm uma oportunidade de se defender perante um juiz -- que é um juiz das garantias e dos princípios do Estado de Direito -, isso foi-lhes negado na prática. Podemos dizer que formalmente houve uma instrução, na prática, não. Para mim, sinceramente, temos todos de ponderar muito bem o papel de cada um na justiça", frisou..Já o advogado do antigo governante, Ricardo Sá Fernandes, considerou que, "desta vez, não se fez" justiça, assegurando, porém, que vai continuar a lutar nos tribunais. "Espero que no julgamento o doutor Manuel Pinho tenha direito à justiça que não teve aqui", resumiu..O advogado do antigo presidente do Grupo Espírito Santo apelou ainda que os juízes "cumpram o seu papel" em sede de julgamento, com "total isenção e distanciamento da pressão mediática", sem deixar de considerar que isso é "cada vez mais difícil" em Portugal..Francisco Proença de Carvalho lembrou ainda o diagnóstico de Doença de Alzheimer que foi atribuído a Ricardo Salgado e sustentou que isso o impede de se defender ou de dar instruções para a sua defesa. "Não é o Dr. Ricardo Salgado que todos nós conhecemos", disse, garantindo que vai continuar a insistir na realização de uma perícia médica que comprove a situação e resulte no arquivamento do processo.."Não sei nada sobre o que o meu cliente pensa sobre esta acusação pelas circunstâncias em que está e isso não é admissível num estado de Direito, no próprio exercício que nós temos como advogados na relação com os clientes. Não é que ele não quisesse, simplesmente não consegue e não pode, por razões médicas, objetivas, que estão comprovadas e, mais tarde ou mais cedo, eu acredito que essa perícia será feita", explicou..Já o advogado do antigo governante, Ricardo Sá Fernandes, considerou que, "desta vez, não se fez" justiça, assegurando, porém, que vai continuar a lutar nos tribunais.."Espero que no julgamento o Dr. Manuel Pinho tenha direito à justiça que não teve aqui", resumiu Ricardo Sá Fernandes, considerando que a decisão de pronunciar os arguidos para julgamento por todos os crimes de que vinham acusados estava "pré-anunciada desde o primeiro despacho" da juíza de instrução Gabriela Assunção..Manuel Pinho, a sua mulher, Alexandra Pinho, e Ricardo Salgado vão a julgamento no Caso EDP "nos exatos termos da acusação", segundo a decisão instrutória hoje proferida pela juíza Gabriela Assunção..O antigo ministro da Economia (entre 2005 e 2009) vai responder em tribunal por um crime de corrupção passiva para ato ilícito, outro de corrupção passiva, um crime de branqueamento de capitais e um crime de fraude fiscal..Por sua vez, Alexandra Pinho foi acusada - em concurso efetivo e coautoria material com o marido - de um crime de branqueamento de capitais e outro de fraude fiscal, enquanto o antigo presidente do BES será julgado por um crime de corrupção ativa para ato ilícito, um crime de corrupção ativa e outro de branqueamento de capitais.