O casamento traz mais felicidade a quem já vive em união de facto?

Estudo norte-americano diz que não, que o matrimónio não traz benefícios adicionais a quem já coabita com parceiro

Viver em união de facto ou casar? Esta é uma pergunta cada vez mais comum para os jovens casais e muito optam pela união como teste ou como alternativa ao casamento, mostram as estatísticas. E para os jovens adultos a opção de viverem juntos sem casarem pode oferecer os mesmos benefícios emocionais do que o matrimónio, de acordo com um estudo publicado no Journal of Family Psychology.

Investigadoras da Universidade do Ohio analisaram dados de 8700 pessoas (nascidas entre 1980 e 84) para analisar o que acontece à "saúde emocional" quando as pessoas passam de uma união de facto para um casamento ou para uma segunda união de facto. "Quando olhamos para aqueles que transitaram de uma união de facto para o casamento, a transição não ofereceu benefícios emocionais adicionais, ao contrário do que pensávamos", explicou Sara E. Mernitz ao The Washigton Post.

Aliás, as investigadores mediram a saúde emocional tendo em conta a resposta a perguntas sobre sintomas depressivos ou de ansiedade - ao longo de uma década - e concluíram que as pessoas solteiras sofriam mais de "stress emocional" do que as casadas ou juntas em união de facto. Descobriram ainda que os benefícios emocionais aumentavam numa segunda relação, o que atribuem a uma maior exigência dos dois parceiros.

Outro resultado que surpreendeu os investigadores foi o facto de as mulheres parecerem beneficiar mais da primeira união de facto do que os homens. Isto pode ser uma consequência da forma como veem a união de facto: "é mais provável que os homens vejam a coabitação como um ensaio ou teste para o casamento e não a levem tanto a sério como as mulheres".

A investigação analisa uma realidade emergente: em quase todos os países ocidentais, incluindo Portugal, assistimos nas últimas décadas a importantes mudanças nas famílias, destacando-se o aumento das uniões de facto em detrimento do casamento e a subida significativa dos nascimentos fora do casamento.

São, sobretudo, os casais mais jovens os agentes da mudança, dado que é nas faixas etárias até aos 39 anos que as referidas tendências são mais evidentes. Na Grande Lisboa, por exemplo, um casal em cada cinco vive em união de facto.

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