Carta aberta contra a privatização da TAP assinada por 25 personalidades

"A TAP não é um 'ativo tóxico'. É um trunfo económico ao serviço do país". É o que é defendido numa carta aberta contra a privatização da companhia aérea. Ana Gomes, Francisco Louçã, António Pedro Vasconcelos, Pedro Abrunhosa, António Correia de Campos e Vasco Lourenço estão entre os 25 signatários.
Publicado a
Atualizado a

São 25 as personalidades da sociedade portuguesa que assinam uma carta aberta contra a privatização da TAP, dando destaque à importância da companhia aérea para a economia portuguesa. Ana Gomes, Francisco Louçã, António-Pedro Vasconcelos, Pedro Abrunhosa, António Correia de Campos, Ricardo Sá Fernandes e Vasco Lourenço estão entre os 25 signatários.

"A TAP não é um 'ativo tóxico. É um trunfo económico ao serviço do país", defendem na carta publicada na edição desta terça-feira no jornal Público e divulgada na rede social Twitter.

"Digamos a verdade: a TAP é uma das empresas portuguesas que mais contribuem para o crescimento da economia nacional. Em 2022, o contributo do turismo para o PIB português foi de 8,8%; somado o contributo indireto, foi de 19,1%. A TAP foi uma das principais contribuidoras para esses resultados", pode ler-se no início da carta.

São depois elencados vários números que atestam o valor da transportadora para economia nacional, sendo referido que "é, no mínimo, demagógico insistir na crítica de que o Estado teria desperdiçado 3,2 mil milhões na sua recapitalização, quando os investidores privados não quiseram fazê-lo".

Consideram que se o Estado não tivesse investido na empresa, o destino da TAP era a "falência imediata", a "incapacidade de pagamentos de salários aos trabalhadores e despedimento coletivo", bem como o "incumprimento de contratos de fornecimento com empresas portuguesas e de leasing de aeronaves, com sua imediata devolução às empresas locadoras".

Defendem que "o tempo provou que a privatização ilegal da TAP, pelo Governo de gestão do PSD-CDS, em 2015, entregando a empresa a quem não tinha a capacidade financeira necessária, foi ruinosa para os contribuintes e para a economia nacional".

As 25 personalidades dão como exemplo privatizações, que ocorreram nas últimas décadas, como as da EDP, REN, Galp CTT e ANA que "foram ruinosas para o país".

"Uma TAP, controlada por capitais públicos e bem gerida, à semelhança da CGD, poderá gerar dividendos para os contribuintes. Por isso, só a manutenção pública da TAP permitirá que venhamos a recuperar o dinheiro ali investido, através da distribuição futura de dividendos. A sua anunciada privatização só serviria interesses ocultos e não o interesse nacional", argumentam.

Terminam, por isso, a carta aberta a defender a "manutenção do controlo estratégico da TAP, de modo a assegurar o interesse nacional e garantir a soberania estratégica do Estado português sobre uma infraestrutura económica essencial ao país".

Em seis pontos, defendem a "recusa da privatização integral da TAP, sem prejuízo da eventual abertura do capital minoritário a investidores nacionais e estrangeiros", bem como a "manutenção do hub em território nacional e defesa dos postos de trabalho", o "reforço substancial da cobertura de todo o território nacional, nomeadamente no Porto, Faro, Açores e Madeira" e o contributo para "a melhor relação" com a "diáspora espalhada pelo mundo, bem como com os países de língua oficial portuguesa (PALOP e Brasil)".

As personalidades que subscrevem este documento defendem também a "averiguação, por parte do Ministério Público do processo de privatização levado a cabo em 2015", assim como "das responsabilidades das gestões posteriores, pelos prejuízos que terão causado ao país".

"Portugal não está à venda". É desta forma que termina a carta assinada por 25 personalidades da sociedade portuguesa, algumas das quais subscreveram o texto do movimento "Não TAP os olhos", que foi lançado no final de 2014 pelo cineasta António-Pedro Vasconcelos. Em 2015, avançou-se com a privatização da transportadora, no Governo de Passos Coelho, tendo sido depois revertida já com António Costa como primeiro-ministro.

Estes são os signatários da carta aberta contra a privatização da TAP, lançada esta terça-feira, 23 de maio:

António-Pedro Vasconcelos

Anabela Mota Ribeiro

Ana Gomes

André Freire

António Correia de Campos

António Garcia Pereira

Bernardo Trindade

Carmo Afonso

Daniel Oliveira

Eduardo Gageiro

Eduardo Paz Ferreira

Fernando Rosas

Francisco Louçã

Gabriel Leite Mota

Inês Pedrosa

José Vítor Malheiros

Luísa Schmidt

Maria Emília Brederode Santos

Miguel Prata Roque

Paulo de Morais

Pedro Abrunhosa

Ricardo Monteiro

Ricardo Paes Mamede

Ricardo Sá Fernandes

Vasco Lourenço

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt