A ambição da Carris é comprar 150 autocarros por ano
A ambição da Carris é comprar 150 autocarros por anoFoto: Reinaldo Rodrigues (Arquivo)

Carris com mais 29 autocarros elétricos orçados em 17,05 milhões de euros

Presidente do Conselho de Administração salienta que a empresa executou 100% do seu PRR e que foi necessário um trabalho “muito exigente” para ter os novos autocarros ao serviço no arranque do ano letivo.
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A Carris apresentou esta segunda-feira, 7 de setembro, 29 novos autocarros standard totalmente elétricos, os últimos financiados através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), orçados em 17,05 milhões de euros (ME), no âmbito de um investimento total que ultrapassa os 31 ME.

Os 29 autocarros foram apresentados em Belém, Lisboa, na presença, entre outros, do ministro da Habitação e Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, do secretário de Estado Adjunto da Energia, Jean Barroca, do presidente e do vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas e Gonçalo Reis, respetivamente, e do presidente do Conselho de Administração da Carris, Rui Lopo.

Para Rui Lopo, a presença daquelas individualidades representa “um compromisso” entre todos para concretizar o “plano ambicioso que a Carris tem de descarbonizar significativamente a sua frota até 2030, alinhada com as opções estratégicas da Câmara de Lisboa”.

O presidente da Carris, empresa de transporte gerida pela Câmara Municipal de Lisboa, referiu ter sido um trabalho “muito exigente” para os novos autocarros estarem ao serviço “na próxima semana, no retorno do período escolar”.

Questionado pelos jornalistas, à margem do evento, sobre a garantia deixada pelo Governo de que o investimento é para continuar, Rui Lopo sublinhou que não se trata “de propaganda”, uma vez que está definido na política pública nacional, não só pelo governo atual, mas também por governos anteriores.

“Sempre otimista, tendo em conta o conjunto de variáveis que temos de saber trabalhar. A indústria europeia está com claras dificuldades em conseguir entregar em tempo, (…) nós não chegamos ali a uma esquina e compramos agora 30 autocarros, e a ambição da Carris é comprar 150 por ano, e não é só comprar, é comprar e tê-los a circular, 150 por ano. E, portanto, isso obriga-nos a uma grande capacidade de intervenção, junto de fornecedores, junto do mercado, (…), mas, sim, com total confiança e ambição em conseguirmos ter esse processo descarbonizado em 2030”, disse Rui Lopo.

No seu discurso de apresentação dos novos autocarros, Rui Lopo adiantou que a Carris executou “100% do seu PRR”, lembrando que são quase 32 milhões de euros, dos quais 15 milhões no seu próprio orçamento, que permitiu a aquisição de 25 postos de carregamento, 29 miniautocarros e 49 autocarros standard desde 2022”.

“A Carris tem hoje 103 autocarros elétricos e, quando estiverem em funcionamento estes 29, mais de 50% dos nossos quilómetros cumpridos serão por viaturas não diesel”, afirmou, adiantando que até final do ano serão investidos “cerca de 2 milhões de euros em projetos de infraestruturas elétricas para as estações e, em 2027, serão mais de 10 milhões de euros investidos em execução em infraestruturas e sistemas de informação para gestão de energia”.

Na cerimónia, com o Tejo como fundo e as 29 novas viaturas alinhadas em semicírculo, o ministro das Infraestruturas e da Habitação, que tem a pasta da mobilidade, avançou que os autocarros elétricos que ficaram fora do financiamento do PRR vão ser financiados pelo Governo.

O secretário de Estado “falou em cerca de 950 autocarros, são um bocadinho mais, porque o Governo tem um compromisso. Aqueles que não conseguiram ficar no PRR vão ser financiados. Portanto, para ser preciso, são 1.006. São mais de mil autocarros financiados entre o Governo e a Comissão Europeia”, adiantou Pinto Luz, referindo-se aos autocarros de “zero emissões” destinados a mais de 70 municípios do continente.

Por seu turno, o secretário de Estado Adjunto da Energia, Jean Barroca, frisou que com estes 29 veículos, “a Carris passa a ter 103 autocarros totalmente elétricos em operação e, destes, 78 foram financiados de facto pelo PRR”.

“Só este ano, entre os 15 miniautocarros apresentados em junho e os 29 de hoje, são 16 milhões de euros do PRR a circular pelas ruas desta cidade”, exemplificou o responsável.

Jean Barroca acrescentou que quem entrar nestes autocarros para a semana, irá ter “menos ruído, menos fumo, uma viagem mais confortável e com menos percalços de manutenção”, frisando que para a cidade “significa também ar mais limpo nas ruas onde as pessoas vivem”.

Já o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, sublinhou que quando assumiu em 2021 a presidência da autarquia, “70% dos autocarros eram a energias fósseis e hoje já são, mais ou menos, 50%. E a ideia (…) é chegar a 2030 com zero em energias fósseis”.

“Estes autocarros que estão aqui à nossa volta, mais do que autocarros, são esse concreto na política pública da transição climática e da luta contra aquilo que tem sido todas as emissões de carbono”, disse, acrescentado que na Carris existiam 524 autocarros a diesel e que hoje são 379.

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