O Funicular da Graça, em Lisboa, o único dos cinco "elevadores" da Carris que foi reativado até agora depois da tragédia mortal do Elevador da Glória, a 3 de setembro de 2025 (voltou ao ativo no passado dia 30 de abril), passa a ter, deste esta sexta-feira, 15 de maio, um horário mais alargado (cerca de seis horas mais por dia), todos os dias da semana.Em comunicado, a Carris decidiu expandir o horário inicial (9h a 17h) em vigor desde 30 de abril para 7h a 20h45, também todos os dias da semana.O Funicular da Graça liga a Rua dos Lagares (Mouraria) ao Miradouro Sophia de Mello Breyner Andresen (conhecido desde sempre por Miradouro da Graça).Esta dilatação do horário surge na sequência de um período de avaliação do equipamento e da procura por parte de passageiros, designadamente turistas, que costumam invadir este tipo de transportes mais pitorescos da cidade.Também houve várias notícias na televisão em que muitos residentes se queixaram do horário limitado, sobretudo para quem regressa ou vai para o trabalho ou tratar de assuntos pessoais e tem de subir a íngreme colina da Graça (caso o elevador não esteja disponível)Segundo a Carris, quando o funicular reabriu (a 30 de abril de 2026), começou com o referido horário limitado (9h–17h),“um período inicial de adaptação e avaliação da utilização”.Com isto, a Carris quis primeiro perceber os níveis de procura, os fluxos de passageiros e como decorria o funcionamento em condições reais.Esta sexta-feira, a empresa de transportes públicos municipal, consegue confirmar que "o Funicular da Graça transportou mais de 3.600 pessoas, nas primeiras duas semanas".A cabine tem "uma lotação de 14 passageiros por viagem, registou uma média diária de cerca de 220 passageiros, nos dias úteis, e de 330 passageiros, aos fins de semana"."Aproximadamente 70% das viagens corresponderam a utilizadores ocasionais e 30% a titulares do passe navegante."Ou seja, aqueles 70% serão, na esmagadora maioria, turistas e curiosos.A Carris diz que os residentes (a maioria tende a usar o Passe Navegante) têm "prioridade" no acesso ao transporte."A prioridade de acesso ao equipamento é dada aos portadores de passe navegante, garantido uma gestão de acesos mais eficiente, que privilegia o acesso aos clientes frequentes do sistema de transportes", garante a empresa.A Carris observa que "o alargamento do horário reforça o papel do Funicular da Graça como solução de mobilidade para residentes, trabalhadores e visitantes, melhorando a acessibilidade entre dois bairros históricos da cidade de Lisboa – a Mouraria e a Graça".Um bilhete "ocasional", que no caso do Funicular dá para duas viagens, custa 4,3 euros (preço da tarifa de bordo, bilhete comprado no momento).A faturação destes bilhetes, a esta tarifa mais turística, também pode ajudar a pagar o custo significativo do Funicular da Graça, que terá custado aos contribuintes mais de sete milhões de euros, tendo sofrido uma derrapagem orçamental superior a 40%. O orçamento inicial dizia que ia custar cinco milhões de euros.A ideia de fazer este elevador surgiu em 2009, no mandato de António Costa (PS), depois primeiro-ministro, hoje presidente do Conselho Europeu.A obra arrancou em 2016, sob a presidência de Fernando Medina (PS), mas teve de parar por foram encontrados vestígios arqueológicos de alguma importância, dada a proximidade à antiga e ampla muralha fernandina que protegia a cidade de Lisboa.O orçamento inicial da obra foi colocado em cinco milhões de euros.Em 2021, já com Carlos Moedas (PSD) como presidente da autarquia, os trabalhos foram retomados.A 12 de março de 2024, Moedas inaugurou o Funicular que funcionou durante ano e meio até à tragédia do Elevador da Glória.Como referido, a derrapagem no custo final foi grande. Segundo documentos municipais, o investimento total associado ao equipamento (incluindo construção e operação inicial) terá furado os sete milhões de euros.A tragédiaNo fatídico dia 3 de setembro de 2025, um dos dois carros do Elevador da Glória (que liga os Restauradores ao Bairro Alto) descarrilou após a rutura do cabo principal, fruto de trabalhos "regulares" de inspeção e manutenção deficientes e incompetentes, como se viu.Morreram 15 pessoas e ficaram feridas mais de 20. Foi um dos acidentes mais graves da história recente do transporte urbano em Lisboa.Este evento teve grande impacto nacional (foi declarado luto nacional, inclusive) e forte repercussão internacional, dado que era uma grande atração turística e que morreram turistas na tragédia.Nesse dia, à luz desta nova e grande crise, a Carris decidiu encerrar todos os cinco elevadores da cidade. Os quatro históricos (Glória, Bica, Lavra, Santa Justa) e o moderno Funicular da Graça. Todos fontes de receitas muito relevantes. Estavam sempre cheios e com filas turistas à espera.Segundo a CNN Portugal, que cita fonte do executivo de Carlos Moedas, "até ao início deste verão" de 2026, os elevadores de Santa Justa (ligação Baixa - Chiado) e da Bica (São Paulo - Bairro Alto) devem voltar ao ativo.Os outros dois – Glória e Lavra – "terão de esperar porque são mais problemáticos", segundo o mesmo canal de notícias. São os mais antigos, também.