Canadiana a ensinar no Ártico leva o "Nobel" dos professores e ganha 1 milhão

Trabalho com comunidade esquimó valeu um milhão de dólares a Maggie MacDonnell

Uma professora canadiana a ensinar numa zona remota do Quebec, no Canadá, ganhou este domingo um milhão de dólares (cerca de 930 mil euros) ao ser distinguida com o prémio que já é conhecido como o Nobel da docência, o Global Teacher Prize, que celebra o mérito dos professores.

A vencedora de 2017 foi Maggie MacDonnell, que recebeu o prémio numa cerimónia realizada este domingo no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, batendo milhares de candidatos em todo o mundo.

Maggie MacDonnell trabalhou nos últimos seis anos, segundo a agência AP, numa localidade remota na região canadiana do Ártico, Salluit, a dar aulas a alunos do ensino preparatório e secundário. Em Salluit - que tem uma população de 1300 habitantes e onde só é possível chegar de avião - vive uma comunidade indígena esquimó, os Inuit.

A perseverança para continuar a dar aulas numa zona isolada, onde muitos professores desistem e deixam o cargo a meio do ano, foi uma das razões que a fez destacar-se entre os seus pares.

À AP, depois de saber que tinha vencido, MacDonnell revelou que os planos para o dinheiro que vai receber com o prémio passam por continuar a auxiliar a comunidade local em Salluit e estabelecer um programa para garantir que os mais jovens permanecem ligados às tradições culturais da região, chamando igualmente atenção para necessidades das comunidades indígenas do Canadá. "Idealmente, devem ser tratados com a dignidade que merecem", explicou.

MacDonnell, escreve a AP, criou vários programas para rapazes e raparigas, incluindo projetos com mentores, e angariou fundos para uma alimentação mais saudável. A abordagem da professora à educação foca-se nos "atos de bondade": gerir uma cozinha para toda a comunidade, por exemplo, ou organizar formações de prevenção do suicídio.

Entre outros projetos, MacDonnell conseguiu ainda inaugurar um centro de fitness para crianças e adultos na comunidade, onde as taxas de alcoolismo e consumo de estupefacientes são elevadas, sobretudo devido aos invernos rigorosos da região e ao isolamento.

Na cerimónia de atribuição do prémio, este domingo, a professora falou sobre dez suicídios que aconteceram já durante o período em que lecionou em Salluit, incluindo os de seis jovens adultos entre os 18 e os 25 anos só em 2015. "A memória que continua a assombrar-me é quando vejo os adolescentes canadianos, os próprios colegas de turma dos que faleceram, literalmente a abrirem as covas na terra para eles. Não sabia, até vir para Salluit, que esta era uma realidade no Canadá".

Foi o sheik do Dubai, Mohammed bin Rashid Al Maktoum, quem entregou o prémio à professora canadiana. O nome de Maggie MacDonnell foi anunciado pelo astronauta francês Thomas Pasquet, numa mensagem de vídeo a partir da Estação Espacial Internacional.

Entre os dez finalistas do Global Teacher Prize estavam ainda professores do Paquistão, Reino Unido, Jamaica, Espanha, Alemanha, China, Quénia, Austrália e Brasil.

No ano passado, o prémio foi entregue à professora palestiniana Hanan al-Hroub, pelos esforços ao encorajar os estudantes a renunciarem à violência e abraçarem o diálogo. O primeiro Global Teacher Prize, atribuído pela Varkey Foudation, foi entregue a Nancie Atwell, uma professora de Inglês do Maine.

A Varkey Foudantion, uma organização sem fins lucrativos que se encontra entre os embaixadores da boa vontade da UNESCO desde 2012, foi fundada pelo indiano Sunny Varkey, que criou também a GEMS Education, grupo que detém mais de 250 escolas em todo o mundo. O CEO da fundação, Vikas Pota, esclareceu em comunicado este domingo que o prémio pretende destacar os bons professores, trazer para a ribalta as suas histórias, partilhando-as com o mundo.

Também este domingo, revela a AP, 15 países - incluindo Portugal - anunciaram que irão lançar prémios para distinguir os professores a nível nacional com o apoio da Varkey Foudation.

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