Calor apertou em julho e pedidos de socorro para o INEM aumentaram

Temperaturas têm estado muito acima de valores médios, já há mais de oito dias que o INEM recebe 4000 chamadas diárias

Escaldões, dores de cabeça e alergias são os sintomas que surgem com o calor e que fazem disparar as chamadas para a Linha de Saúde 24. De junho até agora, os enfermeiros que ali trabalham receberam mais de 800 chamadas associadas às temperaturas elevadas - não é de estranhar. O mês passado ficou na história como um dos mais quentes desde que há registo (1880) e julho vai pelo mesmo caminho, já que as temperaturas registadas têm estado muito acima da média. Segundo apurou o DN, nos dias em que os termómetros subiram, registaram-se mais chamadas de emergência para o INEM.

No relatório sobre as temperaturas de julho, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera revela que, em Portugal continental, a máxima do ar tem tido "valores muito elevados" e "muito superiores aos valores médios". E é precisamente nos dias em que as máximas estão mais altas e nos dias seguintes que o INEM recebe mais telefonemas. Em julho do ano passado, o dia em que se registaram mais chamadas foi o dia 20, com 3943 pedidos de ajuda. Este mês, contabilizam-se já oito dias com mais de quatro mil pedidos. Na segunda-feira, dia muito quente em todo o país, foram recebidos mais de 4200 pedidos de socorro.

Já a Linha da Saúde 24 atendeu, até ao dia 23, 310 chamadas por causa do calor, sendo que no período homólogo do mês passado contabilizou 500. "Recebemos, em média, 2100 chamadas por dia. Os telefonemas relacionados com o calor estão dentro do que recebemos habitualmente nos outros anos", adiantou ao DN Sérgio Gomes, responsável pela coordenação da linha.

Este mês, a Saúde 24 está a atender, em média, 13 chamadas por dia devido às temperaturas elevadas, "um número semelhante ao de 2015". Embora as temperaturas estejam mais elevadas, Sérgio Gomes acredita que não há mais chamadas, porque "tem havido muita informação sobre medidas de prevenção e alguma antecipação nos alertas". A maioria das chamadas recebidas este mês foi relacionada com o grupo dos 15 aos 64 anos (219 telefonemas) e, logo a seguir, com as crianças entre 1 e 14 anos (76 chamadas).

Nos dias 15 a 17 e nos dias 23 e 24, que coincidiram com os dois últimos fins de semana, mais de 90% do território registou temperaturas máximas superiores a 30 graus e 60% ultrapassou mesmo os 35. Em muitas zonas, as mínimas não baixaram dos 20 graus. Segundo o relatório do IPMA, o facto de a temperatura não ter baixado muito à noite "pode ter originado desconforto térmico com impactos mais significativos na população mais vulnerável."

Embora o INEM não tenha dados que permitam relacionar o calor com o aumento de chamadas, nos referidos dias e naqueles que se seguiram, houve um aumento do número de pedidos de socorro em Portugal. No dia 24, por exemplo, registaram-se 4030 chamadas e, no dia seguinte (segunda-feira), 4228.

Quanto à mortalidade, não houve para já um aumento significativo. De acordo com o Sistema de Informação dos Certificados de Óbito (SICO), no sábado passado registaram-se 249 mortes por várias causas em Portugal, o mesmo número que no ano passado. Já no domingo, morreram 267 pessoas, menos nove do que no ano passado. No entanto, na segunda-feira, o sistema registou 287 mortes e na terça 304, os valores mais elevados dos últimos sete anos para os dias 25 e 26 de julho.

"Há uma variação, mas está de acordo com o esperado pelo fenómeno aleatório da mortalidade. O aumento está dentro da variabilidade que é esperada", explicou ao DN Graça Freitas, subdiretora-geral da Saúde. No entanto, ressalva, "os efeitos do calor não se verificam de imediato", uma vez que a pessoa pode ter uma doença que se agrave, ser internada e só vir a falecer mais tarde. "Há uma diferença temporal entre o calor e a morte", adverte Graça Freitas.

Como as elevadas temperaturas que se fizeram sentir "podem ter um efeito tardio", só nos próximos dias será possível aferir se o calor provocou mais mortes do que o normal. Quanto ao número de pessoas que recorreram às urgências, a subdiretora da Saúde diz que houve "um aumento muito ligeiro", mas "ainda não se sabe se foi devido ao calor ou ao acaso".

Contrariando a tendência deste mês, o próximo fim de semana será mais fresco. Bruno Café, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, adiantou ao DN que hoje é esperada "uma pequena subida de temperatura, em especial nas regiões do litoral oeste e no interior da região Sul" e amanhã "não há grande variação", mas no fim de semana está prevista uma descida das máximas e um aumento de nebulosidade.

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