Calma do suspeito dos crimes de Aguiar da Beira assusta guardas

Pedro Dias começa a ser julgado amanhã por um processo antigo de furto de matrículas. No EP de Monsanto é um preso exemplar

Pedro Dias, o preso número 76 da cadeia de alta segurança de Monsanto, em Lisboa, é de uma calma e educação tão exemplares que os guardas chegam a recear pelo que possa ainda vir a fazer, adiantaram ao DN fontes prisionais. Amanhã será transportado da prisão para o tribunal de São Pedro do Sul num processo por furto de matrículas que remonta a 2012 (ver caixa).

O seu perfil de discreção e de modelo de recluso, em Monsanto, faz um enorme contraste com o do sociopata diagnosticado, arguido em vários processos e em prisão preventiva na única cadeia de segurança máxima do país por ser suspeito de cinco homicídios (três na forma tentada).

O alegado autor dos "crimes de Aguiar da Beira", que fugiu às autoridades durante 28 dias - entre 11 de outubro e 8 de novembro - é muito simpático com os guardas prisionais e nada confituoso. Cumpre, sem refilar, todas as normas do estabelecimento prisionl (EP) e todos os dias passa uma hora na biblioteca a ler e a requisitar novos livros para levar para a cela.

Durante um processo que teve por violência doméstica, que envolveu perseguição e esperas à ex-mulher, Pedro Dias submeteu-se a uma perícia psicológica e o resultado (noticiado na edição de 27 de novembro do DN), foi este: "A escala clínica que se apresenta acima da média é a da sociopatia, habitualmente caracterizada por instabilidade emocional, irresponsabilidade, potencial agressão social, mas egoísta, exigente, explosivo e de pouca confiança, com relações com superficialidade, ausência de compromisso e rebeldia contra as regras, a autoridade e as convenções". O homem que terá disparado contra dois GNR (matando um) e contra um casal jovem (matou o homem e a mulher ficou em coma, até hoje) que intercetou numa estrada, é o mesmo que deu uma entrevista calma e serena à RTP na noite de 8 de novembro, quando se decidiu entregar às autoridades. É essa mesma serenidade que espanta os guardas da cadeia de Monsanto.

Pedro Dias tem recebido visitas semanais na cadeia, às quartas-feiras e sábados à tarde, de membros da família e amigos. A mãe, a irmã e a filha menor, bem como a atual companheira (de quem tem um filho bebé) são as visitas mais frequentes.

Passa o tempo e a ler e a ver TV

Na cadeia de Monsanto, os reclusos estão em celas individuais e só têm direito a duas horas de pátio por dia, de manhã ou à tarde. Pedro Dias passa o resto do seu tempo na cela a ler ou a ver televisão. Frequenta o pátio pequeno, onde só podem estartrês reclusos de cada vez, não vai ao ginásio, e não vai ao pátio grande onde os presos aproveitam para jogar futebol, adiantaram as mesmas fontes.

Pedro Dias ainda não tem uma tarefa atribuída na prisão. Apesar de ter direito a consultas de psicologia na cadeia, não as requisitou.

Confinado a uma cela localizada no anel interior de Monsanto tem, como vizinho, Marcus Fernandes, o "assassino de polícias", 42 anos, que cumpre 25 anos de prisão por ter assassinado dois agentes da PSP na Amadora. Perto da sua cela estão também alguns dos chilenos que integraram bandos de assaltos a residências, bem como criminosos brasileiros que mataram idosos durante assaltos a casas, adiantaram fontes prisionais.

Mas esses presos não fazem parte da companhia habitual do suspeito dos crimes de Aguiar da Beira. Pedro Dias arrisca 25 anos de prisão se vier a ser condenado em julgamento pelos crimes de homicídio.

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