Ficou em prisão preventiva o bombeiro de 35 anos da cidade de Machico, na ilha da Madeira, foi detido na tarde de terça-feira, 26 de agosto, por ter agredido violentamente a mulher, de 34, em frente ao filho de nove anos, num ato que foi filmado por câmaras de videovigilância e tornou-se viral nas redes sociais. O suspeito foi ouvido quinta-feira, 28 de agosto, por um juiz do Tribunal da Comarca do Funchal durante mais de 4h30, tendo-se sido aplicada a medida de coação mais gravosa, além de ficar proibido de contactar "por qualquer meio, direto ou por interposta pessoa" com a mulher e o filho, depois de ser indiciado por dois crimes de violência doméstica..PSP e GNR detiveram 1073 pessoas por suspeita de violência doméstica no primeiro semestre.Este caso foi captado pelas câmaras de videovigilância no domingo, tendo depois sido difundidas na internet, levando a que o Ministério Público da Madeira tivesse emitido um mandato para a detenção do suspeito "fora de flagrante delito", de acordo com um comunicado do comando regional da PSP.Como consequência das agressões, a vítima sofreu, segundo o Diário de Notícias da Madeira, um grande hematoma num olho, tendo sido submetida a uma cirurgia no Hospital dr. Nélio Mendonça, no Funchal, de onde já teve alta. Ainda assim, poderá ser necessário voltar a ser intervencionada. A mulher encontra-se agora em casa de familiares, com proteção policial. A criança está também à guarda de familiares.As agressões testemunhadas em vídeo terão ocorrido em casa de um familiar da vítima, no momento em que abriu a porta dessa residência. Foi nessa altura que foi espancada pelo marido, enquanto o filho tentava impedir as agressões ao mesmo tempo que pedia ao pai para que parasse com as agressões, ouvindo-se gritos e choro. Tudo isto foi captado pelas câmaras de videovigilância, cuja existência era desconhecida do suspeito.O homem admitiu ao mesmo jornal madeirense ter agredido a mulher, ato pelo qual disse estar “profundamente arrependido”, revelando que em causa estavam problemas conjugais. “Estamos casados há 18 anos. Vi umas mensagens e fiquei cego. Foi isso que aconteceu e peço desculpa”, disse.Em declarações à RTP Madeira, a secretária regional para a inclusão, Paula Margarido, afirmou que estas imagens "não serão admitidas em tribunal", pois "é considerada uma prova ilícita porque foi efetuada sem o consentimento". Ainda assim, admitiu tratarem-se de imagens de "uma brutalidade avassaladora" e revelou uma conversa que manteve com alguém do poder judicial que lhe confidenciou que há muitos casos "iguais ou piores que estes e que ninguém sabe".Entretanto, os Bombeiros Municipais do Machico, do qual o suspeito faz parte, emitiu um comunicado em que fala de "um ato completamente reprovável" de um membro da sua corporação, sublinhando que é "totalmente contra qualquer tipo de violência", fazendo votos para que "o caso seja tratado pelas devidas entidades responsáveis" e para que "a justiça seja feita".Esta corporação revelou ainda que os seus serviços jurídicos também estão "a tomar os devidos procedimentos".