E se alguém acedesse à sua conta online e transferisse tudo?

A rede internacional acedia às credenciais das contas online de clientes de bancos portugueses e de outros países europeus. São dezenas de lesados de vários países e há prejuízos milionários

São "várias dezenas de lesados", pessoas de nacionalidade portuguesa e também nacionais de outros países europeus que viram todas as suas poupanças serem transferidas para contas de "money mules" (mulas de dinheiro) ao serviço da rede internacional criminosa. Três membros da rede foram agora detidos pela PJ na sequência de uma investigação inciada em dezembro e que já tinha então levado à detenção de outros três suspeitos.

Alguns dos queixosos perderam mesmo milhares de euros, sendo que no total o grupo criminoso internacional arrecadou centenas de milhares de euros, segundo avançou ao DN fonte ligada à investigação, a cargo da secção do crime informático da PJ de Lisboa.

"identidade Furtada". Foi este o nome que a Polícia Judiciária (PJ) deu à operação, que desenvolveu através da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo, e que permitiu a detenção de três pessoas - dois homens e uma mulher, com idades compreendidas entre os 43 e os 50 anos - por "phishing", com o propósito de ilicitamente se apoderarem de quantias monetárias de terceiros, recorrendo à utilização ilícita da "banca online".

Em comunicado, a PJ refere que esta foi uma operação policial "com conexões internacionais e que teve como objetivo o desmantelamento duma organização criminosa que se dedicava à prática de crimes de burla informática, acesso ilegítimo e branqueamento de capitais". Segundo apurámos as ligações são sobretudo com países africanos, onde estarão alguns dos elementos da rede.

Os três detidos foram presentes a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação processuais adequadas.

"Os valores assim obtidos ascenderam a centenas de milhares de euros e a organização procedia ao seu posterior branqueamento por diversas formas de dissimulação", acrescenta o comunicado da PJ.

Foram realizadas dez buscas e além dos três detidos, a PJ acrescenta que as investigações, que ainda prosseguem, já "permitiu identificar outros suspeitos que se dispuseram a participar na atividade como money mules, bem como alguns dos seus líderes e angariadores".

"A Polícia Judiciária prossegue as investigações, no sentido de apurar a natureza e a extensão das ligações delituosas deste grupo, continuando a acompanhar casos concretos de fenómenos criminais semelhantes", salientam.

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