A Zero-Associação Sistema Terrestre Sustentável defendeu este sábado, 21 de fevereiro, a “reocupação de edifícios devolutos ou subutilizados, na reconversão de imóveis em habitação acessível”, no âmbito do Plano Nacional de Renovação de Edifícios (PNRE).A associação considerou que “o PNRE deve apostar mais claramente na reocupação de edifícios devolutos ou subutilizados, na reconversão de imóveis em habitação acessível e em programas integrados de renovação à escala de bairro, bem como numa melhor articulação entre políticas de edifícios, mobilidade e planeamento urbano”, de acordo com um comunicado.O PNRE decorre da revisão da Diretiva Europeia sobre o Desempenho Energético dos Edifícios, adotada em 2024 no quadro do pacote legislativo europeu para o clima.Para a Zero, esta é “uma oportunidade estratégica para transformar o parque edificado português, reduzir emissões e melhorar o conforto térmico das habitações”.Mas, no entender da associação, “o plano corre o risco de não cumprir plenamente os seus objetivos climáticos e sociais se não forem introduzidas metas mais concretas, salvaguardas sociais robustas, maior transparência no financiamento e uma integração mais clara do princípio da suficiência energética”.A proposta portuguesa para o PNRE esteve em consulta pública até à passada sexta-feira, e para a Zero é “demasiado genérica”.Para a associação ambientalista, na proposta portuguesa “faltam taxas anuais de renovação, objetivos por tipo de edifício e indicadores quantificados que permitam avaliar o progresso até 2030, 2040 e 2050”.A Zero disse considerar “igualmente essencial uma articulação explícita com instrumentos nacionais como o Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC) 2030, a Estratégia Nacional de Combate à Pobreza Energética, o Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 e o Plano Social para o Clima, sublinhando que sem este alinhamento será difícil garantir coerência entre políticas climáticas, energéticas e sociais”.Alertou que “a implementação das normas mínimas de desempenho energético e dos programas de renovação pode gerar efeitos perversos se não forem adotadas salvaguardas sociais claras”, e identificou como principais riscos os “aumentos de renda após obras de eficiência energética, deslocação de inquilinos vulneráveis e exclusão de famílias incapazes de financiar intervenções”.O PNRE “deve incluir mecanismos que limitem aumentos de renda com base nas poupanças energéticas reais, assegurem apoio financeiro integral aos agregados de baixos rendimentos, garantam acesso equitativo a financiamento e estabeleçam sistemas de monitorização contínua dos impactos sociais”, defendeu a associação.Na área do investimento, a Zero declarou que "falta transparência sobre custos, fontes de financiamento e mobilização de capital público e privado.Para a associação, "é essencial apresentar estimativas claras de investimento, explorar plenamente instrumentos europeus e soluções inovadoras de financiamento e reforçar o papel das empresas de serviços energéticos, sempre com foco nocombate à pobreza energética". .Procura por habitação disparou nas periferias de Lisboa e Porto em 2025.Mais de um terço de imóveis da Segurança Social estão devolutos ou desocupados