As bactérias super resistentes

As bactérias super resistentes

O alerta não parece novo, mas, há 50 anos, foi notícia no DN. O aviso vinha direto de Genebra, sede da Organização Mundial da Saúde (OMS). 
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O uso prolongado e imprudente de antibióticos deu origem a que bactérias nocivas ao homem se tornassem cada vez mais resistentes e imunes às drogas. O alerta não parece novo, mas, há 50 anos, foi notícia no DN. O aviso vinha direto de Genebra, sede da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Um comunicado foi divulgado neste dia a dar nota sobre a existência de “germes” que constituíam perigo na altura. Como exemplo, a OMS citava “certos tipos de febre tifóide de botulismo e desinteria”. 

A situação preocupava os médicos e demais profissionais de saúde. “Representa uma grave ameaça para a saúde da humanidade”. Já havia registos em pelo menos três continentes diferentes. Os países mencionados eram França, Grã-Bretanha, Índia, Vietname, México e Guatemala. 

O aviso vinha a confirmar algo já antecipado, mais de 30 anos antes, por Alexander Fleming, o jovem médico responsável pela descoberta da penicilina em 1928. Quando ganhou o Nobel da Medicina, em 1942, o profissional usou o discurso da cerimónia de premiação para avisar sobre os perigos do uso inapropriado e prolongado deste tipo de medicamento. O medo de Alexander era que as bactérias se tornassem muito mais fortes. 

O comunicado da OMS que foi destaque no DN confirma que ele estava certo. Mesmo cinco décadas depois, notícias semelhantes ainda estão nos jornais. Em janeiro de 2020, dois meses antes do início da pandemia de covid-19, o mesmo órgão emitiu um comunicado em que manifestava preocupação com a falta de novos antibióticos para que pudessem travar as bactérias mais resistentes aos medicamentos. Pouco tempo depois, a principal preocupação da OMS seria com vírus e não bactérias, fase superada com as vacinas contra o coronavírus que permitiram a normalidade no mundo.

De volta às bactérias, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), em 2021 morreram mais de mil pessoas em Portugal, vítimas de infeções causadas por superbactérias. E mais: investigações do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e Resistências aos Antimicrobianos (PPCIRA) alertam que, em 2050, as infeções podem ser a principal causa de morte de seres humanos em escala mundial. Não faltam exemplos, antigos ou recentes, para não duvidar da ciência. 

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